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Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz

Queridos e Queridas Jovens, celebramos hoje um dos momentos mais fortes da nossa fé.  O dia de hoje é especialmente sagrado para toda a Igreja e para o povo brasileiro; talvez, o dia mais sagrado do ano. O dia da Paixão e Morte do Senhor. O dia em que o próprio Filho de Deus, nascido de Maria como Servo de todos, se dá por todos e todas nós. Dia de silêncio, para todos poderem ouvir atentamente a voz do maior exemplo de Amor que jamais o ser humano presenciou. Pela paixão e morte de cruz, Jesus nos revela que nunca existirá um Deus frio, insensível e indiferente, mas um Deus que padece conosco, sofre nossos sofrimentos e morre nossa morte. A cruz é o lugar por excelência da revelação visível da Misericórdia de Deus. Fiquemos unidos e unidas neste dia de profunda oração!

 

Texto Bíblico | João 18, 1 – 19, 42

Naquele tempo: Jesus saiu com os discípulos para o outro lado da torrente do Cedron. Havia aí um jardim, onde ele entrou com os discípulos. Também Judas, o traidor, conhecia o lugar, porque Jesus costumava reunir-se aí com os seus discípulos. Judas levou consigo um destacamento de soldados e alguns guardas dos sumos sacerdotes e fariseus, e chegou ali com lanternas, tochas e armas. Então Jesus, consciente de tudo o que ia acontecer, saiu ao encontro deles e disse: ‘A quem procurais?’ Responderam: ‘A Jesus, o nazareno’. Ele disse: ‘Sou eu’. Judas, o traidor, estava junto com eles. Quando Jesus disse: ‘Sou eu’, eles recuaram e caíram por terra. De novo lhes perguntou: ‘A quem procurais?’

Eles responderam: ‘A Jesus, o nazareno’. Jesus respondeu: ‘Já vos disse que sou eu. Se é a mim que procurais, então deixai que estes se retirem’. Assim se realizava a palavra que Jesus tinha dito: ‘Não perdi nenhum daqueles que me confiaste’. Simão Pedro, que trazia uma espada consigo, puxou dela e feriu o servo do sumo sacerdote, cotando-lhe a orelha direita. O nome do servo era Malco. Então Jesus disse a Pedro: ‘Guarda a tua espada na bainha. Não vou beber o cálice que o Pai me deu?’

Então, os soldados, o comandante e os guardas dos judeus prenderam Jesus e o amarraram. Conduziram-no primeiro a Anás, que era o sogro de Caifás, o sumo sacerdote daquele ano. Foi Caifás que deu aos judeus o conselho: ‘É preferível que um só morra pelo povo’. Simão Pedro e um outro discípulo seguiam Jesus. Esse discípulo era conhecido do sumo sacerdote e entrou com Jesus no pátio do sumo sacerdote. Pedro ficou fora, perto da porta. Então o outro discípulo, que era conhecido do sumo sacerdote, saiu, conversou com a encarregada da porta e levou Pedro para dentro. A criada que guardava a porta disse a Pedro: ‘Não pertences também tu aos discípulos desse homem?’ Ele respondeu: ‘Não’. Os empregados e os guardas fizeram uma fogueira estavam se aquecendo, pois fazia frio. Pedro ficou com eles, aquecendo-se. Entretanto, o sumo sacerdote interrogou Jesus a respeito de seus discípulos e de seu ensinamento. Jesus lhe respondeu: ‘Eu falei às claras ao mundo. Ensinei sempre na sinagoga e no Templo, onde todos os judeus se reúnem. Nada falei às escondidas. Por que me interrogas? Pergunta aos que ouviram o que falei; eles sabem o que eu disse.’ Quando Jesus falou isso, um dos guardas que ali estava deu-lhe uma bofetada, dizendo: ‘É assim que respondes ao sumo sacerdote?’ Respondeu-lhe Jesus: ‘Se respondi mal, mostra em quê; mas, se falei bem, por que me bates?’ Então, Anás enviou Jesus amarrado para Caifás, o sumo sacerdote.

Simão Pedro continuava lá, em pé, aquecendo-se. Disseram-lhe: ‘Não és tu, também, um dos discípulos dele?’ Pedro negou: ‘Não!’ Então um dos empregados do sumo sacerdote, parente daquele a quem Pedro tinha cortado a orelha, disse: ‘Será que não te vi no jardim com ele?’ Novamente Pedro negou. E na mesma hora, o galo cantou.

De Caifás, levaram Jesus ao palácio do governador. Era de manhã cedo. Eles mesmos não entraram no palácio, para não ficarem impuros e poderem comer o pão da páscoa. Então Pilatos saiu ao encontro deles e disse: ‘Que acusação apresentais contra este homem?’ Eles responderam: ‘Se não fosse malfeitor, não o teríamos entregue a ti!’ Pilatos disse: ‘Tomai-o vós mesmos e julgai-o de acordo com a vossa lei.’ Os judeus lhe responderam: ‘Nós não podemos condenar ninguém à morte’. Assim se realiza o que Jesus tinha dito, significando de que morte havia de morrer.

Então Pilatos entrou de novo no palácio, chamou Jesus e perguntou-lhe: ‘Tu és o rei dos judeus?’ Jesus respondeu: ‘Estás dizendo isto por ti mesmo, ou outros te disseram isto de mim?’ Pilatos falou: ‘Por acaso, sou judeu? O teu povo e os sumos sacerdotes te entregaram a mim. Que fizeste?’. Jesus respondeu: ‘O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus guardas lutariam para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas o meu reino não é daqui.’

Pilatos disse a Jesus: ‘Então tu és rei?’ Jesus respondeu: ‘Tu o dizes: eu sou rei. Eu nasci e vim ao mundo para isto: para dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade escuta a minha voz.’ Pilatos disse a Jesus: ‘O que é a verdade?’ Ao dizer isso, Pilatos saiu ao encontro dos judeus, e disse-lhes: ‘Eu não encontro nenhuma culpa nele. Mas existe entre vós um costume, que pela Páscoa eu vos solte um preso. Quereis que vos solte o rei dos Judeus?’ Então, começaram a gritar de novo: ‘Este não, mas Barrabás!’ Barrabás era um bandido.

Então Pilatos mandou flagelar Jesus. Os soldados teceram uma coroa de espinhos e colocaram-na na cabeça de Jesus. Vestiram-no com um manto vermelho, aproximavam-se dele e diziam: ‘Viva o rei dos judeus!’  E davam-lhe bofetadas. Pilatos saiu de novo e disse aos judeus: ‘Olhai, eu o trago aqui fora, diante de vós, para que saibais que não encontro nele crime algum.’ Então Jesus veio para fora, trazendo a coroa de espinhos e o manto vermelho. Pilatos disse-lhes: ‘Eis o homem!’ Quando viram Jesus, os sumos sacerdotes e os guardas começaram a gritar: ‘Crucifica-o! Crucifica-o!’ Pilatos respondeu: ‘Levai-o vós mesmos para o crucificar, pois eu não encontro nele crime algum.’ Os judeus responderam: ‘Nós temos uma Lei, e, segundo esta Lei, ele deve morrer, porque se fez Filho de Deus’. Ao ouvir estas palavras, Pilatos ficou com muito medo ainda. Entrou outra vez no palácio e perguntou a Jesus: ‘De onde és tu?’ Jesus ficou calado. Então Pilatos disse: ‘Não me respondes? Não sabes que tenho autoridade para te soltar e autoridade para te crucificar?’ Jesus respondeu: ‘Tu não terias autoridade alguma sobre mim, se ela não te fosse dada do alto. Quem me entregou a ti, portanto, tem culpa maior.’

Por causa disso, Pilatos procurava soltar Jesus. Mas os judeus gritavam: ‘Se soltas este homem, não és amigo de César. Todo aquele que se faz rei, declara-se contra César’. Ouvindo estas palavras, Pilatos trouxe Jesus para fora e sentou-se no tribunal, no lugar chamado ‘Pavimento’, em hebraico ‘Gábata’. Era o dia da preparação da Páscoa, por volta do meio-dia. Pilatos disse aos judeus: ‘Eis o vosso rei!’ Eles, porém, gritavam: ‘Fora! Fora! Crucifica-o!’ Pilatos disse: ‘Hei de crucificar o vosso rei?’ Os sumos sacerdotes responderam: ‘Não temos outro rei senão César’. Então Pilatos entregou Jesus para ser crucificado, e eles o levaram.

Jesus tomou a cruz sobre si e saiu para o lugar chamado ‘Calvário’, em hebraico ‘Gólgota’. Ali o crucificaram, com outros dois: um de cada lado, e Jesus no meio. Pilatos mandou ainda escrever um letreiro e colocá-lo na cruz; nele estava escrito: ‘Jesus o Nazareno, o Rei dos Judeus’. Muitos judeus puderam ver o letreiro, porque o lugar em que Jesus foi crucificado ficava perto da cidade. O letreiro estava escrito em hebraico, latim e grego. Então os sumos sacerdotes dos judeus disseram a Pilatos: ‘Não escrevas ‘O Rei dos Judeus’, mas sim o que ele disse: ‘Eu sou o Rei dos judeus’.’ Pilatos respondeu: ‘O que escrevi, está escrito’.

Depois que crucificaram Jesus, os soldados repartiram a sua roupa em quatro partes, uma parte para cada soldado. Quanto à túnica, esta era tecida sem costura, em peça única de alto a baixo. Disseram então entre si: ‘Não vamos dividir a túnica. Tiremos a sorte para ver de quem será’. Assim se cumpria a Escritura que diz: ‘Repartiram entre si as minhas vestes e lançaram sorte sobre a minha túnica’. Assim procederam os soldados.

Perto da cruz de Jesus, estavam de pé a sua mãe, a irmã da sua mãe, Maria de Cléofas, e Maria Madalena. Jesus, ao ver sua mãe e, ao lado dela, o discípulo que ele amava, disse à mãe: ‘Mulher, este é o teu filho’. Depois disse ao discípulo: ‘Esta é a tua mãe’. Daquela hora em diante, o discípulo a acolheu consigo. Depois disso, Jesus, sabendo que tudo estava consumado, e para que a Escritura se cumprisse até o fim, disse: ‘Tenho sede’. Havia ali uma jarra cheia de vinagre. Amarraram numa vara uma esponja embebida de vinagre e levaram-na à boca de Jesus. Ele tomou o vinagre e disse: ‘Tudo está consumado’. E, inclinando a cabeça, entregou o espírito.

Era o dia da preparação para a Páscoa. Os judeus queriam evitar que os corpos ficassem na cruz durante o sábado, porque aquele sábado era dia de festa solene. Então pediram a Pilatos que mandasse quebrar as pernas aos crucificados e os tirasse da cruz. Os soldados foram e quebraram as pernas de um e depois do outro que foram crucificados com Jesus. Ao se aproximarem de Jesus, e vendo que já estava morto, não lhe quebraram as pernas; mas um dos soldados abriu-lhe o lado com uma lança, e logo saiu sangue e água. Aquele que viu, dá testemunho e seu testemunho é verdadeiro; e ele sabe que fala a verdade, para que vós também acrediteis. Isso aconteceu para que se cumprisse a Escritura, que diz: ‘Não quebrarão nenhum dos seus ossos’. E outra Escritura ainda diz: ‘Olharão para aquele que transpassaram’.

Depois disso, José de Arimatéia, que era discípulo de Jesus – mas às escondidas, por medo dos judeus – pediu a Pilatos para tirar o corpo de Jesus. Pilatos consentiu. Então José veio tirar o corpo de Jesus. Chegou também Nicodemos, o mesmo que antes tinha ido a Jesus de noite.

Trouxe uns trinta quilos de perfume feito de mirra e aloés. Então tomaram o corpo de Jesus e envolveram-no, com os aromas, em faixas de linho, como os judeus costumam sepultar. No lugar onde Jesus foi crucificado, havia um jardim e, no jardim, um túmulo novo, onde ainda ninguém tinha sido sepultado. Por causa da preparação da Páscoa, e como o túmulo estava perto, foi ali que colocaram Jesus

 

Reflexão | Retiro Quaresmal 2019

(SECOFE, p. 118-119. Edições Loyola / adaptado)

Uma das coisas mais fortes em contemplar Jesus Crucificado, torturado injustamente até a morte pelo poder político-religioso da época, é perceber a força do mal, da crueldade, do ódio, do fanatismo e da mentira. É nessa vítima inocente que nós, seguidores e seguidoras de Jesus vemos Deus, identificado em todas a vítimas de todos os tempos. Na Cruz estão todas as cruzes, todos que sofrem e morrem, e dos mais inocentes, que assim como Jesus, condenado por elevar a voz contra o poder dos templos e do palácio, colocam-se ao lado dos pobres e excluídos, de todos os caídos.

Jesus morreu de vida: de bondade e de esperança lúcida, de solidariedade alegre, de compaixão ousada, de liberdade, de proximidade curadora. O Crucificado nos revela que não existe Deus insensível e indiferente a nós e que a partir da Cruz, Deus não responde mal com o mal, prefere ser vítima, prefere dar-se para a nossa salvação. A Cruz nos ensina que Deus se despoja de todo poder dominador, se revelando no mais puro e insondável amor misericordioso. Através da Cruz ele se revela louco de amor pela humanidade e contemplar o Crucificado, é manter viva a recordação de todos e todas que se dão ao próximo, também por amor.

Sem a Cruz seria muito difícil convencer o ser humano do amor misericordioso de Deus e por meio dela será sempre possível dizer ao ser humano que a Cruz de Jesus tem sentido, e que a última palavra é a salvação e não a morte. Neste ato de amor, Jesus nos ensina a encontrar Deus nos lugares onde a vida se acha bloqueada, fazendo da Cruz de Cristo o lugar por excelência da Revelação visível da misericórdia de Deus.

 

Pontos para Oração

Caminhe com Jesus até o calvário. Perceba os sentimentos de cada momento, acompanhando cada momento, diante de cada personagem, me reconhecendo no meio daqueles e daquelas que acompanham o Senhor.

Coloque-se na cena, olhe-escute-observe as mulheres no calvário, olhe para sua coragem e fidelidade em acompanhar o Senhor até o fim. Peça a Jesus esta coragem e fidelidade.

Contemple Jesus suspenso no madeiro, converse silenciosamente com ele. Sinta, e perceba os sentimentos que vão surgindo.

Nessa sexta-feira da paixão, procure fazer silêncio, procure um lugar silencioso, feche os olhos e contemple o amor misericordioso de Deus que se dá em Jesus por nós.

 

Oração de Santo Inácio

Tomai, Senhor, e recebei
toda a minha liberdade,
a minha memória também
o meu entendimento e toda a minha vontade.
Tudo o que tenho e possuo
Vós me destes com amor:
Todos os dons que me destes, com gratidão vos devolvo;
disponde deles, Senhor, segundo a Vossa vontade.
Dai-me somente o vosso amor, a vossa graça.
Isto me basta, nada mais quero pedir.

 

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