“Também está você?
“O olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê.
É preciso transver o mundo.” (Manoel de Barros)

(Escrito por Pe. Marcos Vinícius Sacramento, SJ)

 

Sim, também estamos nós, marcando os caminhos da existência como peregrinos e peregrinas da esperança. A mesma esperança que moveu o coração peregrino de Jesus, de Inácio, dos seus companheiros e companheiras e que faz “o olho vê, a lembrança revê, e a imaginação transvê”, nos impulsiona a transver o mundo. Se depois de tantos caminhos, encontros e desencontros a chama da esperança ainda arde em nosso peito é porque cantamos e dançamos na mesma ciranda dos que seguem os passos do peregrino.

Mas, como bem escreveu o poeta, nesse seguimento, é preciso vê, revê e transvê, ou seja, fazer uma releitura da realidade presente que nos possibilite vê-la de maneira diferente, nova, transfigurada. Nesse caminhar já não nos cabe tomar atalhos envelhecidos que nos levam a antigas prisões, mas, a correr o risco de seguir caminhos de liberdade, amor e serviço.

É no confronto da nossa liberdade, na ousadia de amar em todas as circunstâncias e na coragem do servir em vez de sermos servidos, que somos transfigurados pela proposta do Evangelho que passa pela renúncia de si mesmo, pela acolhida da Cruz e pela decisão de segui-Lo peregrinos como Inácio. Mesmo que por vezes, não entendamos as contradições desse Caminho.

Ora, no biênio 2021-2022 celebramos os 500 anos da conversão de Santo Inácio de Loyola. Tal conversão, pode-se dizer, foi sempre movida por uma busca que transformou Iñigo em um peregrino apaixonado por Cristo.  Vendo, revendo e transvendo a sua vida, “Inácio seguia o Espírito, não se adiantava a Ele.  Deste modo era conduzido serenamente por onde não sabia. Aos poucos o caminho se lhe abria e o percorria sabiamente ignorante, colocando, simplesmente, seu coração em Cristo” (Jerônimo Nadal).

Com a sua vida conduzida pelo Espírito, Inácio despertou no interior de muitas pessoas a força de peregrinar nesse mundo com um coração esperançado. De descobrir com os olhos de Deus que sempre há algo que pode nos surpreender, ainda mais, além da próxima curva. Que ninguém, independentemente de sua condição, pode escapar do Amor que chama a segui-Lo para transfigurar o mundo, a história, a criação e cada coração.

 Tal experiência de peregrinar “vendo nova todas as coisas em Cristo” revigoram a nossa vocação de seguidores do Senhor que vê, revê e transvê a nossa história e enche a nossa vida-missão de pleno sentido.

 

Texto bíblico: Mt 17,1-9

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