Etapa final da reunião da CPAL aprofundou cultura vocacional, discernimento, critérios de admissão e acompanhamento de candidatos à Companhia de Jesus
Guilherme Freitas via MAGIS Brasil, com informações da CPAL
Representantes das Províncias Jesuítas da América Latina e do Caribe concluíram, em Bogotá, na Colômbia, a Reunião Anual de Juventudes, Vocações e Mestres de Noviços. A etapa final aprofundou temas ligados ao discernimento e à formação, encerrando um percurso de reflexão sobre juventudes e vocações. O Pe. Edson Tomé, SJ, secretário para Juventudes e Vocações da Província dos Jesuítas do Brasil, participou como representante do Brasil.
Promovida pela Conferência de Provinciais Jesuítas da América Latina e do Caribe (CPAL), a reunião contou com 12 delegados de vocações da região. Também participaram mestres dos noviciados do Equador, República Dominicana, Brasil e Uruguai.
Cultura vocacional como responsabilidade compartilhada
Um dos eixos da reflexão foi a compreensão de que a cultura vocacional não se limita ao trabalho dos responsáveis pela promoção vocacional. Ela envolve todo o corpo apostólico da Companhia de Jesus.
Durante o encontro, os delegados apresentaram planos e iniciativas desenvolvidos em suas Províncias. Também analisaram as possibilidades e os desafios que a cultura digital apresenta para a promoção vocacional e para os processos de acompanhamento e discernimento.
A reflexão deu continuidade ao caminho desenvolvido durante toda a reunião. Nas etapas anteriores, os participantes aprofundaram o acompanhamento das juventudes e a necessidade de ampliar a colaboração entre Províncias, redes e diferentes iniciativas apostólicas.
Discernir cada história
Na etapa conjunta entre delegados de vocações e mestres de noviços, a atenção voltou-se aos processos de admissão e aos programas de acompanhamento de candidatos e pré-noviços.
Os participantes dedicaram um dia à revisão dos critérios de admissão, a partir de uma solicitação da Conferência de Provinciais. O diálogo reconheceu que os critérios existentes precisam considerar a singularidade de cada processo vocacional.
Nesse sentido, o encontro ressaltou a importância de um discernimento profundo e dialogado. O processo busca articular a responsabilidade com cada pessoa que deseja ingressar na Companhia de Jesus e o cuidado com a própria missão.
A programação também contou com uma oficina conduzida pela psicanalista Sofía Uribe. A atividade ofereceu contribuições de outras áreas do conhecimento para compreender os processos humanos e discernir diante dos desafios contemporâneos.
Da admissão à acolhida
As reflexões levaram ainda a uma questão dirigida à própria Companhia de Jesus: além dos critérios para admitir candidatos, como fortalecer também os critérios para recebê-los?
A perspectiva dos chamados “critérios de recepção” chama atenção para a responsabilidade institucional. Isso envolve oferecer testemunho coerente, ambientes adequados e acompanhamento às pessoas que passam a integrar o corpo apostólico.
Os participantes também refletiram sobre o pré-noviciado e os desafios próprios dessa etapa, especialmente diante da organização interprovincial dos noviciados na América Latina e no Caribe.
O debate amplia a compreensão do acompanhamento vocacional. O discernimento não envolve apenas quem manifesta o desejo de seguir uma vocação. Também interpela a instituição que acolhe, acompanha e forma.
Juventudes, vocações e formação em um mesmo caminho
O encerramento em Bogotá concluiu um percurso que colocou em diálogo três dimensões interligadas da missão: acompanhamento das juventudes, cultura vocacional e cuidado com os processos de formação.
Ao longo dos diferentes momentos da reunião, a escuta das experiências das Províncias e a colaboração entre redes ajudaram a reconhecer desafios comuns. O processo também apontou possibilidades de atuação conjunta no contexto latino-americano e caribenho.
O encontro terminou com encaminhamentos para a continuidade do trabalho e com o compromisso de fortalecer os processos de acompanhamento. Como sintetizou o Pe. Hernán Quezada, SJ, delegado de Formação, Juventudes e Vocações da CPAL, permanece a convicção de que Deus continua chamando e de que cabe à Companhia acompanhar e cuidar dessas vocações.
Para a Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil, esse percurso reforça a relação entre acompanhamento das juventudes e discernimento vocacional. Ajudar cada jovem a reconhecer seus desejos, discernir caminhos e responder com liberdade aos chamados de Deus integra essa missão. O compromisso dialoga especialmente com os eixos de Vocações e Pedagogia da Formação do Programa MAGIS e com a missão de formar jovens capazes de serem contemplativos na ação.






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