Segundo módulo do Itinerário Formativo aprofundou saúde mental, sexualidades, contextos juvenis e diferentes sensibilidades eclesiais
Guilherme Freitas via MAGIS Brasil
A Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil realizou, no sábado, 03 de outubro de 2026, o segundo módulo do Itinerário Formativo para Acompanhadores Espirituais das Juventudes. O encontro aprofundou o acompanhamento das juventudes diante de questões que atravessam suas experiências, relações e vivências de fé.
Com o tema “Acompanhar diante dos desafios contemporâneos”, a formação ocorreu on-line e deu continuidade ao percurso iniciado em setembro. O primeiro módulo apresentou fundamentos do acompanhamento espiritual a partir dos Exercícios Espirituais. Desta vez, os participantes voltaram o olhar para os contextos concretos das juventudes.
Acompanhar desde dentro do tempo
A manhã começou com uma oração conduzida pela equipe do Centro MAGIS Anchietanum. O momento partiu do convite a “acompanhar desde dentro do tempo que vivemos”.
Inspirados na imagem paulina do corpo formado por muitos membros, os participantes refletiram sobre os limites do próprio olhar. Também reconheceram a importância de outras perspectivas para compreender a realidade.
A oração destacou uma atitude que atravessou todo o encontro: acompanhar sem pretender antecipar a vida do outro. Isso exige permanecer próximo também diante daquilo que ainda não se compreende.
Na sequência, a retomada do primeiro módulo recordou elementos fundamentais do percurso. Entre eles estavam a escuta, o acolhimento e o respeito ao protagonismo juvenil. A formação também reafirmou o acompanhamento como caminho que favorece o reconhecimento da ação de Deus na própria história.
Contextos que atravessam as juventudes
O psicólogo Matheus Lima conduziu a primeira formação, “Juventudes e contextos atuais: desafios para o acompanhamento”. Bacharel e licenciado em Psicologia pela Universidade de São Paulo (USP), ele é mestrando em Psicologia Social pela mesma instituição.
A reflexão abordou especialmente sexualidades e saúde mental. Um dos pontos destacados foi a necessidade de compreender a experiência dos jovens dentro das condições concretas em que vivem.
Relações familiares, afetividade, trabalho, educação, desigualdades, violência, pertencimento e perspectivas de futuro integram esse cenário. Por isso, o acompanhamento das juventudes pede atenção às diferentes dimensões que constituem cada trajetória.
A formação também destacou a pluralidade das experiências juvenis. Mais do que partir de uma juventude abstrata, acompanhar requer reconhecer juventudes marcadas por diferentes territórios, histórias e condições sociais.
Essa perspectiva apareceu nas avaliações dos participantes. Silvia Maria Trivisan Picheth sintetizou um dos aprendizados: “Olhar para o plural cuidando do singular.”
Daniel Romano, Pastoralista do Centro MAGIS Burnier, destacou a importância de compreender a construção social do jovem, aliando essa percepção a uma escuta atenta e uma presença viva.
Os dados apresentados também provocaram reflexões sobre as perspectivas de futuro das novas gerações. Felipe Chaaban relatou ter saído do encontro pensando sobre jovens que têm se “desesperançado” e sobre as possibilidades de quem acompanha colaborar para transformar essa realidade.
Diferentes formas de viver a fé
Na segunda parte da manhã, Giovani do Carmo, atual coordenador dos eixos Pedagogia da Formação e Voluntariado e Inserção Sociocultural do Programa MAGIS, conduziu a formação “Acompanhamento das juventudes nas diversas sensibilidades eclesiais”.
A reflexão partiu do reconhecimento dos jovens como sujeitos de sua própria experiência histórica. Também abordou as diferentes maneiras pelas quais buscam sentido, pertencimento e experiência religiosa.
A proposta ampliou o olhar sobre a diversidade presente dentro da própria Igreja. Em vez de pressupor um único modelo de jovem ou de vivência eclesial, acompanhar exige reconhecer diferentes trajetórias, linguagens e modos de relação com a fé.
Alessandra Custodio, gerente do Centro MAGIS Anchietanum, destacou essa necessidade: “Ler as diversas gramáticas no trabalho com as juventudes se faz mais do que necessário.”
Para Camila Guerra, essa pluralidade pede espaço para a singularidade de cada jovem. A escuta e a presença tornam-se, assim, caminhos para acompanhá-lo em sua própria experiência de Deus.
Da reflexão à prática
Depois das formações, os participantes se dividiram em grupos para uma experiência de conversação espiritual. A proposta foi reconhecer o que mais havia tocado, provocado ou inquietado cada pessoa durante a manhã.
Uma pergunta orientou a partilha: “Diante dos desafios vividos pelas juventudes hoje e das diferentes sensibilidades eclesiais, o que mais me interpela em minha missão de acompanhante?”.
Ao final, os grupos apresentaram os principais apelos percebidos e indicaram atitudes necessárias para responder a eles.
Entre as sínteses apareceram a escuta sem preconceitos e julgamentos, a atenção às questões psicoemocionais e o reconhecimento das diferentes realidades juvenis. Os participantes também destacaram o aprofundamento da espiritualidade inaciana como instrumento para o acompanhamento.
O percurso continua após o encontro. Como atividade pós-formação, cada participante deverá refletir sobre atitudes e posturas essenciais para um acompanhamento acolhedor, cuidadoso e respeitoso das diferentes experiências juvenis e eclesiais.
A atividade, disponível na plataforma das Escolas MAGIS, busca aproximar os conteúdos estudados das experiências concretas de acompanhamento.
Um caminho que continua
O segundo módulo reforçou uma convicção que atravessa todo o Itinerário: acompanhar requer conhecer a realidade, acolher a diversidade e evitar respostas prontas. Significa caminhar com os jovens e favorecer processos nos quais eles próprios possam reconhecer seus movimentos, perguntas e caminhos.
O Itinerário Formativo para Acompanhadores Espirituais das Juventudes integra as Escolas MAGIS e segue até novembro. O próximo encontro será realizado em 07 de novembro.
Ao investir na formação de pessoas para o acompanhamento das juventudes, a Rede Inaciana da Juventude – MAGIS Brasil fortalece sua missão de favorecer processos de discernimento, cuidado e protagonismo juvenil. O percurso articula especialmente os eixos dos Exercícios Espirituais e da Pedagogia da Formação, em sintonia com as Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus. Assim, contribui para formar pessoas capazes de encontrar Deus na realidade e viver, junto às juventudes, a experiência de serem contemplativas na ação.
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