Nas semanas anteriores, você aprendeu a reconhecer Deus como fundamento da vida, a apresentar-Lhe os desejos do seu coração, a perceber sua presença no cotidiano e a rezar com a Palavra utilizando a memória, a inteligência e a vontade. Agora, damos mais um passo: aprender uma segunda forma de rezar com o Evangelho — não mais refletindo sobre o texto, mas entrando nele com a imaginação.
Santo Inácio de Loyola descobriu que a Palavra de Deus não é apenas uma lembrança do passado. Ela continua viva e pode tornar-se um verdadeiro encontro com Cristo.
Durante sua permanência em Manresa, às margens do rio Cardoner, Inácio recebeu uma profunda compreensão de que Deus pode ser encontrado em todas as coisas. Essa experiência transformou também sua maneira de rezar, e ele passou a convidar aqueles que faziam os Exercícios Espirituais a entrar nas cenas do Evangelho utilizando a imaginação e os sentidos: ver, escutar, sentir, observar, caminhar.
Enquanto a meditação que você praticou na semana passada nos convida a refletir sobre a Palavra com a mente e o coração, a contemplação nos convida a entrar na cena como se estivéssemos ali presentes. São dois caminhos diferentes para o mesmo encontro com Cristo.
Na contemplação inaciana, não usamos a imaginação para inventar uma história, mas para acolher o Evangelho com toda a nossa pessoa. Às vezes, um olhar de Jesus, uma palavra, um gesto ou um simples silêncio tornam-se suficientes para transformar profundamente o coração.
Ao longo desta semana, você aprenderá uma das formas mais características de oração da espiritualidade inaciana: a contemplação do Evangelho. Nela, somos convidados a entrar na cena como quem realmente está presente, permitindo que os sentidos e a imaginação nos aproximem de Jesus.
Reserve um tempo tranquilo para este momento e escolha um lugar em que possa permanecer sem interrupções. Desligue as notificações do celular e, se possível, afaste tudo aquilo que possa distrair sua atenção. Sente-se de maneira confortável e respire profundamente algumas vezes. Faça lentamente o sinal da cruz e tome consciência de que Deus já está presente. Você não precisa alcançá-Lo — Ele já o espera.
Permaneça alguns instantes em silêncio.
Agora, disponha também a sua imaginação. Peça ao Espírito Santo que conduza sua oração. Não tente imaginar tudo de uma vez — apenas permita que, pouco a pouco, o lugar onde Jesus está vá surgindo diante de você. Receba essa cena como um dom.
Antes de continuar sua oração, apresente ao Senhor este pedido:
Senhor, concedei-me a graça de encontrar-me convosco e permitir que o vosso olhar transforme o meu coração.
Permaneça alguns instantes nesse pedido.
Leia lentamente a passagem do encontro de Jesus com Zaqueu. Se desejar, faça uma segunda leitura.
Depois feche os olhos. Não tenha pressa: deixe que a cena vá se formando pouco a pouco. Imagine a cidade de Jericó, observe suas ruas, escute o movimento das pessoas, veja a multidão que acompanha Jesus.
Permaneça alguns instantes contemplando essa cena.
Agora permita que você também entre na cena do Evangelho. Você está caminhando pelas ruas de Jericó: observe o ambiente, os sons que chegam aos seus ouvidos, o céu, o calor, a poeira do caminho.
Perceba as pessoas tentando se aproximar de Jesus. No meio da multidão, um homem pequeno corre apressado: é Zaqueu. Ele deseja ver Jesus, mas não consegue; então corre adiante e sobe em uma árvore. Observe sua pressa, sua expectativa, seu desejo.
Agora veja Jesus se aproximando. Repare em seu modo de caminhar, em seu rosto, em seu olhar. Quando chega perto da árvore, Ele levanta os olhos, olha diretamente para Zaqueu e o chama pelo nome: “Zaqueu, desce depressa. Hoje devo ficar em tua casa.”
Permaneça alguns instantes nesse encontro. Observe a alegria de Zaqueu, veja-o descer rapidamente, perceba como aquele olhar muda toda a sua vida.
Agora imagine que Jesus também olha para você. Ele conhece o seu nome, conhece a sua história, conhece os seus desejos, as suas alegrias e também as suas fragilidades. Permaneça alguns instantes diante desse olhar, sem pressa. O que você sente? Jesus lhe dirige alguma palavra? Há algum convite que nasce em seu coração?
Agora acompanhe Jesus até a casa de Zaqueu. Observe a alegria daquele encontro e perceba como a presença de Jesus transforma não apenas uma pessoa, mas toda uma vida.
Permaneça com a cena que mais tocou o seu coração — talvez um olhar, uma palavra, um gesto, ou simplesmente a presença de Jesus. Não procure entender tudo: receba esse momento como um dom.
Converse agora livremente com Jesus sobre aquilo que nasceu em seu coração durante esta contemplação. Depois permaneça alguns instantes em silêncio, escutando também o que Ele deseja lhe dizer.
Conclua rezando lentamente o Pai-Nosso.
Ao longo desta semana, escolha outro pequeno trecho do Evangelho e reserve alguns minutos para contemplá-lo do mesmo modo. Não tenha pressa: mais importante do que imaginar muitos detalhes é permanecer com Jesus.
Procure também cultivar um olhar mais contemplativo sobre o cotidiano: uma paisagem, o rosto de uma pessoa, a beleza da criação. Pergunte-se: o que Deus deseja revelar ao meu coração através desta experiência?
Aos poucos, você perceberá que o mesmo Jesus encontrado no Evangelho continua presente na sua vida de todos os dias.
Você concluiu a sexta semana deste caminho. Nesta semana, você experimentou um novo modo de rezar: permanecer dentro de uma cena do Evangelho e deixar-se encontrar por Jesus. Antes de seguir adiante, recorde qual momento dessa contemplação permaneceu mais vivo em seu coração.
Depois, registre sua experiência no diário espiritual.
Coloque-se por alguns instantes na presença de Deus e agradeça pelo caminho percorrido. Escreva com liberdade — não procure registrar tudo. Anote apenas aquilo que deseja guardar desta experiência.