Oficina reuniu cerca de 175 agentes da Pastoral da Comunicação para refletir sobre comunicação, inteligência artificial e a centralidade da pessoa humana na missão evangelizadora da Igreja
MAGIS Brasil
Humanização da evangelização marca oficina na Pascom
Em um contexto em que a inteligência artificial vem transformando profundamente as formas de comunicar, educar e produzir conhecimento, a Igreja também é chamada a discernir como utilizar essas tecnologias sem perder de vista aquilo que constitui o centro de sua missão: a pessoa humana.
Foi a partir dessa perspectiva que Guilherme Freitas, Coordenador de Comunicação da Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil, participou como assessor de uma das oficinas do 9º Encontro Nacional da Pastoral da Comunicação (Pascom), realizado entre os dias 24 e 26 de julho, no Santuário Nacional de Aparecida (SP).
Promovido pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o encontro reuniu mais de 1.500 agentes da Pastoral da Comunicação de todas as regiões do país para refletir sobre o tema “Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação”. A programação contou com conferências, oficinas, momentos celebrativos e espaços de partilha, fortalecendo o compromisso da Igreja com uma comunicação cada vez mais evangelizadora, participativa e conectada aos desafios da cultura digital.
Convidado pela organização do encontro para integrar a programação de oficinas, Guilherme Freitas conduziu a atividade “O algoritmo do anúncio: a necessidade de humanizar a evangelização em tempos de Inteligência Artificial”. A oficina reuniu aproximadamente 175 participantes em uma experiência formativa de duas horas e meia.
Inteligência artificial a serviço da evangelização
Mais do que apresentar ferramentas ou discutir tendências tecnológicas, a oficina propôs uma reflexão sobre a missão da Igreja em uma sociedade marcada pela inteligência artificial, pelos algoritmos e pela plataformização da comunicação. A pergunta que conduziu toda a atividade foi simples e, ao mesmo tempo, fundamental: que humanidade estamos anunciando quando evangelizamos nos ambientes digitais?
A partir dessa provocação, os participantes refletiram sobre temas como a cultura do encontro, a centralidade da pessoa humana, os impactos da economia da atenção e dos algoritmos nas relações humanas e os critérios pastorais para uma presença cristã no ambiente digital. A proposta partiu da convicção de que a tecnologia pode ampliar as possibilidades da evangelização, mas nunca substituir aquilo que está no coração do Evangelho: o encontro entre pessoas.
Uma reflexão fundamentada no Magistério da Igreja
A formação foi construída a partir de documentos recentes da Igreja que refletem sobre comunicação, cultura digital e inteligência artificial. Entre as principais referências estiveram o Diretório de Comunicação da Igreja no Brasil, publicado pela CNBB; Rumo à Presença Plena, do Dicastério para a Comunicação; Antiqua et Nova, dos Dicastérios para a Doutrina da Fé e para a Cultura e a Educação; a encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV; o documento do CELAM La Inteligencia Artificial: una mirada pastoral desde América Latina y el Caribe; e o subsídio Evangelização em movimento: a dimensão pastoral da comunicação, elaborado especialmente para o 9º Encontro Nacional da Pascom.
Esses documentos ofereceram o horizonte teológico e pastoral para pensar uma comunicação que dialogue com as novas tecnologias sem perder de vista a dignidade da pessoa humana e a missão evangelizadora da Igreja.
Escuta, discernimento e construção coletiva
Além da exposição dos conteúdos, a oficina foi organizada como um espaço de participação e construção conjunta. Em grupos, os participantes foram convidados a identificar desafios concretos de evangelização presentes em suas comunidades e a elaborar propostas de comunicação capazes de responder a essas realidades.
Entre as questões levantadas apareceram desafios como a permanência dos jovens após a Crisma, a inclusão de pessoas idosas nos processos de comunicação da Igreja, a formação permanente dos agentes de pastoral, o fortalecimento do sentimento de pertença às comunidades, a acolhida de pessoas em situação de vulnerabilidade e a necessidade de ampliar o diálogo entre Igreja e sociedade.
As respostas evidenciaram um ponto em comum: antes de pensar em tecnologias, plataformas ou inteligência artificial, comunicar o Evangelho significa criar oportunidades de encontro, fortalecer vínculos comunitários e colocar a comunicação a serviço das pessoas.
Formação para os desafios da cultura digital
Ao final da atividade, os participantes responderam a uma pesquisa de avaliação e diagnóstico sobre o uso da inteligência artificial na comunicação pastoral. Os resultados mostraram que a maioria já utiliza ferramentas de IA em atividades como pesquisa, produção de textos, planejamento e criação de conteúdos para as redes sociais e outras iniciativas de evangelização.
Ao mesmo tempo, os dados revelaram que muitos ainda percebem a necessidade de aprofundar sua formação para utilizar essas tecnologias de maneira ética, crítica e coerente com a missão da Igreja.
Para Guilherme Freitas, esse é um caminho que precisa ser percorrido por toda a Igreja.
“É preciso sim discutir inteligência artificial, algoritmos ou plataformas, mas não podemos nos esquecer que toda evangelização nasce do encontro entre pessoas. A tecnologia pode ampliar possibilidades para a missão, mas jamais substituir aquilo que está no centro do Evangelho: a dignidade da pessoa humana e a experiência do encontro.”
A participação de Guilherme Freitas na programação do 9º Encontro Nacional da Pascom também expressa o compromisso da Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil com a formação de comunicadoras e comunicadores capazes de integrar comunicação, espiritualidade inaciana e discernimento diante dos desafios da cultura digital. A presença em um dos principais espaços de formação da comunicação eclesial no país fortalece a contribuição da Rede para o diálogo entre evangelização, cultura digital e inteligência artificial, reafirmando que a tecnologia deve permanecer sempre a serviço da dignidade humana e da missão da Igreja.
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