O título desta matéria é o modo como o próprio São Pedro Claver, sacerdote jesuíta, referia-se a si mesmo. Na data de hoje, 09 de setembro, completa-se 366 anos que ele contempla a face de Deus. Seu testemunho de vida e sua missão, porém, seguem sendo extremamente atuais e necessários.

 

Filho de pais camponeses, Pedro Claver nasceu em Verdú, Espanha, em 26 de junho do ano de 1580 e desde cedo sentia em seu coração o chamado que Deus lhe fazia. Com apenas 15 anos de idade, começou seus estudos para tornar-se padre e alguns anos depois, em 1602, foi admitido noviço da Companhia de Jesus, muito entusiasmado e motivado pelas cartas dos missionários jesuítas que contavam as realidades vividas na Ásia e na América. Nos anos seguintes, Pedro viveu significativas experiências de estudos e de convívio com outros companheiros que muito influenciaram sua caminhada, como o também santo jesuíta Afonso Rodrigues.

Em 1610, alguns anos após ter terminado a Filosofia, Claver pôde realizar um profundo desejo que morava em seu coração: servir a Deus através do serviço aos irmãos escravizados da América. Foi enviado em missão à Cartagena das Índias, na Colômbia. Lá chegando, indignou-se mais ainda com a realidade cruel que já sabia a que negros e negras eram submetidos. Seu trabalho foi doar-se em amor e respeito a estas pessoas e, mais ainda, dar-lhes preferência em relação aos livres. São Pedro Claver intercedia por eles junto a seus amos, socorria-os em suas necessidades materiais e amparava os doentes. Comunicava-lhes a fé em Cristo, dando, assim, um novo sentido às suas vidas. Assim, foi gastando sua vida, dia a dia, como “escravo dos escravos”. Duvidamos que, naquele tempo e naquelas circunstâncias históricas, alguém pudesse ter feito mais pelos oprimidos do que Claver fez.

Infelizmente, em 1654, devido a uma grave epidemia de peste, o incansável missionário jesuíta veio a falecer. Por tanta dedicação ao Reino, foi beatificado em 1851 pelo Papa Pio IX e canonizado em 1888 pelo Papa Leão XIII. Ainda hoje, nos países com histórico de escravidão, muitas são as marcas deste triste passado. Ainda há muito a se fazer para eliminar as desigualdades e o racismo tão presentes. Que São Pedro Claver interceda por nós para que sigamos, inspirados por ele, buscando o Reino de Deus e a sua justiça com muita coragem, até que todos e todas tenham vida em abundância.


Momento de oração

Para que também nós nos sensibilizemos a acolher o chamado de Cristo em promover e defender a vida em nossa realidade, conforme as circunstâncias de tempos, lugares e pessoas de hoje, propomos que cada um/a reserve um período do dia para fazer um momento de oração pessoal. Procure um lugar tranquilo, silencie a mente e o coração e traga à memória a vida de São Pedro Claver. Se desejar, arrume um espaço com elementos que lhe remetam à presença de Deus e converse com Ele como com um amigo.

São Pedro Claver acompanhou de perto, com admiráveis caridade e paciência, uma triste realidade que até hoje produz efeitos lastimáveis em nossas sociedades. Assim como em Cartagena, no Brasil também vivemos um longo período de escravidão, que nos faz presenciar ainda atualmente um racismo, ora velado, ora declarado, que estrutura muitas das nossas relações e instituições. Como Claver, somos chamados a “libertar os oprimidos” através do seguimento fiel e profundo da pessoa de Jesus Cristo. Aproveite esta conversa com Deus para buscar compreender melhor quais “cadeias injustas” você se sente chamado/a a quebrar na realidade em que vive. Anote os sentimentos e apelos que surgem na sua oração.

Pedido de Graça: “Senhor, que eu não seja surdo a Teu chamado, mas pronto e diligente para cumprir Sua santíssima vontade” [EE 91].

– Texto bíblico: Is 58, 6-10

– Provocações:

  • Quem são os oprimidos do meu tempo?
  • Que sentimentos surgem em meu coração quando presencio situações de injustiça? Como reajo a estes sentimentos? Eles me levam a fazer algo?
  • De que modo, através de minha vocação, posso colaborar na construção de um Reino de justiça e paz?

 

Que São Pedro Claver rogue por nós!

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