Conversação reuniu acompanhantes para partilhar experiências, aprofundar a escuta e refletir sobre a missão junto às juventudes
Guilherme Freitas via MAGIS Brasil com informações de Vinicius Riechi
Membros da Comunidade de Vida Cristã (CVX) Regional Sul, que colaboram com o Espaço MAGIS Curitiba, participaram na última segunda-feira, 21 de setembro de 2026, de uma conversação espiritual on-line. O encontro foi motivado por conta do Itinerário Formativo para Acompanhadores Espirituais das Juventudes, promovido pelo Eixo dos Exercícios Espirituais e Pedagogia da Formação da Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil.
Acompanhar também quem acompanha
A conversação retomou as experiências e provocações do primeiro módulo do itinerário. A etapa apresentou os Exercícios Espirituais como fonte e horizonte para acompanhar os jovens em seus processos de discernimento.
Durante a partilha, os participantes refletiram sobre uma dimensão fundamental dessa missão: acompanhar não significa oferecer respostas ou indicar caminhos prontos. O acompanhante caminha junto, ajuda a perceber possibilidades e respeita o protagonismo de cada jovem.
Escuta, respeito aos ritmos, maturidade, humildade e promoção da autonomia apareceram entre as atitudes necessárias nesse processo. A própria dinâmica do encontro também revelou outra necessidade: criar espaços para “acompanhar quem acompanha”.
Ao compartilharem experiências, dúvidas e desafios, os acompanhantes reconheceram que a formação também acontece na escuta mútua. As diferentes vivências podem se tornar fonte de aprendizado e fortalecer uma cultura de acompanhamento.
Emaús e a espiritualidade da escuta
A passagem dos discípulos de Emaús ajudou o grupo a iluminar a missão do acompanhante. Na narrativa bíblica, Jesus se aproxima dos discípulos, coloca-se a caminho com eles e, antes de tudo, escuta.
A imagem ajudou a colocar um verbo no centro da experiência: escutar. Mais do que ocupar o lugar de quem possui todas as respostas, o acompanhante é chamado à presença, à simplicidade e ao acolhimento.
A reflexão também tocou no receio de não estar suficientemente preparado para acompanhar alguém. A conversação ajudou o grupo a reconhecer os limites do papel do acompanhante e a centralidade da ação do Espírito no processo.
Nesse horizonte, formação e preparação permanecem necessárias. Elas, porém, devem favorecer uma presença capaz de caminhar com o outro sem retirar dele a autonomia e o protagonismo.
Formação responde a uma demanda dos acompanhantes
Os participantes também destacaram positivamente a iniciativa do MAGIS Brasil e as contribuições apresentadas por estudante jesuíta Eduardo Carvalho durante o primeiro módulo. O grupo reconheceu no itinerário uma resposta a um desejo antigo por formação e atualização para o acompanhamento espiritual das juventudes.
A experiência despertou expectativa pelos próximos módulos e reforçou o interesse por uma formação cada vez mais concreta. Entre os desejos está ampliar o intercâmbio com acompanhantes de outros lugares e contextos.
Outra perspectiva que surgiu foi a de tornar permanente o espaço de conversa entre os próprios acompanhantes. A proposta é continuar partilhando experiências, desafios e aprendizados para fortalecer a missão comum.
Nesse caminho, o grupo também refletiu sobre a importância de “flexibilizar com identidade”. A expressão aponta para o desafio de preservar elementos essenciais do acompanhamento inaciano e, ao mesmo tempo, considerar diferentes pessoas, contextos e realidades juvenis.
O acompanhamento espiritual das juventudes integra a missão da Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil de favorecer processos formativos que ajudem jovens a discernir e responder aos apelos da realidade. Ao formar pessoas capazes de escutar e caminhar junto às juventudes, a Rede contribui para formar “contemplativos na ação”, em sintonia com as Preferências Apostólicas Universais da Companhia de Jesus.
Veja também:
Jesuítas aprofundam missão com juventudes e vocações na América Latina
Igreja deve se aproximar “das mulheres e dos homens do nosso tempo”
Papa: a caridade deve orientar o progresso. Deus e o homem não são rivais







