Juventudes reafirmam o diálogo inter-religioso como caminho de paz

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Live promovida pelo MAGIS Brasil e instituições parceiras reforça o diálogo e o respeito diante da intolerância religiosa

Guilherme Freitas via MAGIS Brasil

No Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, celebrado em 21 de janeiro, o MAGIS Brasil, em parceria com a Koinonia – Presença Ecumênica, o CESEEP e o CONIC, realizou a live “Juventudes: tecendo caminhos de diálogo”. O encontro reuniu juventudes, lideranças religiosas e agentes de diferentes territórios, tradições e trajetórias, reafirmando o diálogo inter-religioso como um caminho urgente de paz, justiça e cuidado com a vida.

Mais do que recordar uma data simbólica, a live se constituiu como um espaço vivo de escuta, partilha e articulação, evidenciando que a intolerância religiosa segue sendo uma realidade concreta e violenta na vida das juventudes brasileiras, especialmente para povos tradicionais, comunidades indígenas e religiões de matriz africana.

Intolerância religiosa como violência cotidiana

Ao longo da conversa, mediada por Giovani do Carmo Junior (MAGIS Brasil) e Angelica Tostes (CESEEP), foi ressaltado que a intolerância religiosa não se expressa apenas em ataques explícitos, mas também em práticas de silenciamento, exclusão e negação da dignidade.

Como destacou um dos comentários do público, trata-se de “um tipo de silenciamento que corrói as relações e mantém esse quadro”, dialogando diretamente com as análises apresentadas por Vítor Queiroz de Medeiros, sociólogo e integrante do Instituto Andarilhagem, e por Amanda de Souza, liderança quilombola, religiosa de matriz africana e mobilizadora comunitária da Koinonia.

Vítor apontou como o fundamentalismo religioso, aliado a disputas de poder e ao uso estratégico das mídias digitais, tem alimentado discursos de ódio, dificultando o reconhecimento da diversidade religiosa e o exercício da laicidade. Amanda, por sua vez, trouxe à tona as múltiplas violências enfrentadas cotidianamente pelas religiões de matriz africana, destacando que essas agressões estão profundamente ligadas ao racismo estrutural e atingem de forma especial mulheres negras e lideranças comunitárias.

Diálogo que nasce dos territórios

Um dos elementos mais fortes da live foi a percepção de que o diálogo inter-religioso precisa acontecer para além dos grandes eventos. Comentários enviados durante a transmissão reforçaram a necessidade de ações concretas nos territórios: “Vamos abrir as rodas nos territórios… as pequenas rodas devem se espalhar” e “Ampliar as forças nos nossos territórios e fazer mutirão”, escreveram participantes.

Essas falas revelam que a live não apenas promoveu reflexão, mas provocou compromissos práticos, convidando à criação de espaços comunitários de escuta, convivência e construção coletiva. Como sintetizou o MAGIS Brasil no chat: “Vamos promover a cultura do diálogo e da paz!”

Educação, diversidade e presença plural

A educação também apareceu como eixo fundamental no enfrentamento da intolerância religiosa. Uma participante destacou a importância de que o ensino religioso seja trabalhado de forma plural e em consonância com a BNCC, reconhecendo as culturas e tradições presentes na sociedade brasileira.

A diversidade não esteve apenas no discurso, mas na própria composição do público: lideranças do Candomblé, participantes da Aldeia Fulni-ô, pessoas de diferentes denominações cristãs e de múltiplos territórios do Brasil e da América Latina acompanharam a live, reafirmando que o diálogo inter-religioso é possível quando há escuta verdadeira e reconhecimento mútuo.

Esperança que nasce do amor e da coragem

Nos momentos finais, palavras como amor, coragem e esperança atravessaram a conversa. “O perfeito amor lança fora o medo”, escreveu um participante. Outros resumiram o espírito do encontro em expressões como “Amar sem medo” e “O amor cura”.

Para Giovani do Carmo Junior, a live evidenciou a importância de criar espaços onde a palavra circule e gere vínculos comunitários:

“A violência causada pela intolerância religiosa é física, verbal e simbólica. Criar espaços de diálogo e convivência fraterna é fazer surgir a esperança que nos impulsiona a acompanhar as juventudes em sua busca por sentido e plenitude no encontro com o Sagrado.”

Angelica Tostes reforçou que a iniciativa nasce da escuta das juventudes que já enfrentam o fundamentalismo com ações concretas em seus territórios:

“Ficou muito forte a inspiração de termos coragem de viver e amar sem medo. É assim que vamos construindo esse esperançar no aqui e agora.”

Essa esperança também se traduziu em testemunhos pessoais que tocaram profundamente quem acompanhava a live. Um deles foi partilhado por Vítor Queiroz de Medeiros, que sintetizou, em poucas palavras, a experiência vivida no encontro:

“O encontro renovou minhas esperanças no amor. Amor verdadeiro que vence o medo. Quando encontramos o diferente, não precisamos ter medo de nos perdermos. O outro, sendo diferente de mim, me lembra de quem eu sou e me mostra outras possibilidades de crer e ser. Não me perco; me encontro.

Por fim, saí com um exercício na cabeça: listar três qualidades que reconheço em tradições de fé distintas da minha. Você consegue fazer isso também?”

O convite lançado por Vítor ecoa o espírito da live: transformar o diálogo inter-religioso em prática cotidiana, capaz de gerar encontros, deslocamentos e novos modos de viver a fé sem medo.

Um compromisso que segue

A live “Juventudes: tecendo caminhos de diálogo” reafirma o compromisso do MAGIS Brasil e das instituições parceiras em seguir pautando o enfrentamento à intolerância religiosa, promovendo uma cultura de paz e respeito em um mundo cada vez mais marcado por conflitos, polarizações e discursos de guerra.

Promover o diálogo inter-religioso é, hoje, um gesto profundamente político, educativo e espiritual, um anúncio de esperança e uma aposta concreta na convivência, na dignidade e na vida em abundância.

Assista à live completa no YouTube

Realização: Koinonia • CESEEP • CONIC • MAGIS Brasil • Jesuítas Brasil

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