Voluntariado internacional conecta jovens e realidades 

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Jovens participam de experiência de voluntariado internacional e inserção sociocultural do MAGIS Brasil em São Paulo

Experiência em São Paulo reuniu serviço, espiritualidade e leitura crítica do território em uma parceria entre redes juvenis do Brasil e de Malta

Guilherme Freitas via MAGIS Brasil com informações de Giovani do Carmo 

Conhecer uma cidade também significa enxergar suas contradições, encontrar quem nela vive e deixar-se interpelar por diferentes realidades. Foi a partir dessa perspectiva que o voluntariado internacional promovido pela Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil recebeu jovens de Malta, entre 31 de agosto e 29 de setembro, em São Paulo (SP). 

Mireille Bonnici, 19 anos, e Juan Micallef, 18 anos, chegaram ao Brasil para uma experiência que uniu inserção sociocultural, serviço, formação, espiritualidade e convivência. Os jovens são provenientes da Ilha de Malta e vinculados ao Salesian Pastoral Youth Service. 

Com o Centro MAGIS Anchietanum como referência, o projeto não começou com uma atividade voluntária. Antes de servir, os participantes foram convidados a conhecer o território, sua história e as pessoas que fazem parte dele. 

Uma parceria construída antes da chegada ao Brasil 

O projeto começou a ser preparado em março de 2026. Até junho, equipes do MAGIS Brasil e do Salesian Pastoral Youth Service mantiveram reuniões periódicas para construir conjuntamente a experiência. 

O trabalho envolveu o processo de seleção dos jovens, o itinerário formativo e a organização das atividades que seriam realizadas em São Paulo. 

A proposta partiu da compreensão de que experiências de voluntariado e inserção sociocultural acontecem também nas fronteiras. Elas podem ser geográficas, econômicas, sociais, culturais ou existenciais. 

Nesse horizonte, o voluntariado busca favorecer o encontro com as diferenças e estimular uma fé comprometida com a realidade. O jovem deixa de ser apenas destinatário das ações e assume seu lugar como sujeito capaz de colaborar com a transformação do mundo. 

Primeiro, conhecer e compreender São Paulo 

Nos três primeiros dias, Mireille e Juan participaram de um percurso de inserção sociocultural pela capital paulista. A experiência teve como referência princípios do Paradigma Pedagógico Inaciano, que reconhece o contexto como ponto de partida para a ação. 

Em 31 de agosto, os jovens percorreram a região da Avenida Paulista. Visitaram a Paróquia São Luís Gonzaga, o Museu de Arte de São Paulo (MASP), a Gazeta, a FIESP, o SESC e o Itaú Cultural. 

Também conheceram a Igreja de Santa Catarina, ligada ao Hospital Santa Catarina. Durante o percurso, foram convidados a refletir sobre processos históricos que constituíram São Paulo. 

Entre os temas abordados estavam os impactos do colonialismo e da escravidão, além do apagamento das contribuições das populações negras na construção da cidade. 

No dia seguinte, o olhar se voltou às desigualdades socioeconômicas e territoriais. No Brás, Mireille e Juan percorreram ruas e espaços comerciais para observar os processos migratórios que marcaram e continuam transformando a capital. 

O itinerário passou ainda pelo Memorial da Resistência, pelo Teatro Municipal e pelo Museu da Língua Portuguesa. 

O dia terminou entre dois importantes centros econômicos: as avenidas Paulista e Faria Lima. O percurso ajudou a colocar lado a lado a concentração de riqueza e as desigualdades encontradas em outros territórios paulistanos. 

Da história da cidade às suas diferentes fronteiras 

Em 02 de setembro, a experiência avançou para outros espaços da região central. Os jovens conheceram a Catedral da Sé, o Museu das Favelas e o Pátio do Colégio, relacionado às origens históricas de São Paulo. 

O percurso incluiu também iniciativas do Ação Social Franciscana (SEFRAS). Entre elas estavam o Chá do Padre, próximo ao Largo são Francisco, e o Recifran, na região do bairro da Liberdade. 

A passagem por esses diferentes lugares ajudou a aproximar a leitura histórica da cidade de questões sociais presentes no cotidiano. 

Ainda nos dias 01 e 02, Mireille e Juan realizaram a primeira inserção no Centro Social Santa Fé, localizado no bairro de Perus, zona norte de São Paulo. Ali, acompanharam atividades com crianças e adolescentes atendidos pela obra vinculada à Rede de Justiça Socioambiental e pertencente à Província dos Jesuítas do Brasil. 

Era o início da passagem da observação para uma presença mais próxima das pessoas e comunidades que encontrariam durante o voluntariado. 

Quando conhecer se transforma em servir 

Após os primeiros dias de inserção, a experiência ganhou uma dimensão mais direta de serviço. 

Em 05 de setembro, Mireille e Juan participaram de uma formação conduzida por Vinícius Fabbro, responsável pela dimensão do voluntariado no SEFRAS. O encontro apresentou a missão da instituição, os públicos atendidos e as características das atividades que seriam desenvolvidas. 

Dois dias depois, os jovens participaram do Grito dos Excluídos ao lado de usuários e participantes das obras do SEFRAS, especialmente da Casa Chá do Padre. 

A experiência possibilitou contato com uma manifestação de participação cidadã e com questões sociais presentes na realidade brasileira. 

Entre 08 e 11 de setembro, Mireille passou a atuar diretamente na Casa Chá do Padre, acompanhando ações de atendimento e promoção da dignidade humana. 

A jovem recorda que servir também significou encontrar pessoas e participar de diferentes realidades. 

“Durante o mês de voluntariado no Brasil, atuei em diferentes lugares. No Chá do Padre, servi refeições aos usuários. Na Associação Sal da Terra, participei de atividades com as crianças, como artesanato e esportes”, relata Mireille. 

Espiritualidade e serviço no mesmo caminho 

A experiência não se restringiu às atividades realizadas nas obras sociais. Em 12 de setembro, Mireille participou da Tarde de Espiritualidade promovida pelo Centro MAGIS Anchietanum. 

O encontro integrou oração, reflexão e formação humana ao itinerário vivido pela jovem. A espiritualidade também esteve presente em outros momentos de sua permanência no Brasil. 

Nos dias 19 e 20, ela colaborou com a organização e realização dos Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola promovidos pelo Centro MAGIS Anchietanum. Mireille auxiliou nos serviços de acolhida e apoio às atividades dos Exercícios. 

Sua própria experiência no Centro também foi marcada pelo cotidiano comunitário. Durante o período em São Paulo, participou de momentos de oração, encontros formativos, reuniões de equipe e espaços de convivência. 

“No Centro MAGIS, também participei de retiros espirituais. No geral, tive uma experiência maravilhosa e fui muito bem acolhida por todos”, destaca Mireille. 

A convivência cotidiana acrescentou outra dimensão ao voluntariado: mais do que cumprir uma programação, a jovem passou a compartilhar a vida de uma comunidade e suas diferentes formas de viver a missão. 

Diferentes lugares, uma mesma experiência de encontro 

Entre 14 e 25 de setembro, Mireille realizou atividades na Associação Sal da Terra, obra social sob os cuidados da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Consolação. 

Acompanhada pela Ir. Ana Alberca, da Congregação das Irmãs de Nossa Senhora da Consolação, a jovem colaborou com atividades socioeducativas e conviveu com crianças atendidas pela instituição. 

No depoimento sobre a experiência, Mireille também recordou sua passagem pelo Centro Social Santa Fé. 

“No Centro Santa Fé, participei de atividades de música tradicional brasileira e também ajudei na floresta e no jardim”, explica. 

As diferentes inserções permitiram que a experiência atravessasse realidades sociais, educativas, ambientais, culturais e espirituais. 

Em 26 de setembro, Mireille participou novamente das atividades regulares do Centro MAGIS Anchietanum. O momento fortaleceu a convivência com a equipe, os voluntários e participantes das ações desenvolvidas pelo Centro. 

Uma despedida entre cuidado e Casa Comum 

A última etapa retomou um dos primeiros lugares visitados pela jovem. 

Em 28 de setembro, Mireille voltou ao Centro Social Santa Fé, em Perus. Dessa vez, o encontro teve também um sentido de despedida da comunidade educativa que a havia acolhido no início da experiência. 

A jovem participou de uma oficina de agroecologia com crianças e adolescentes. A atividade aproximou cuidado com as pessoas, educação e relação com a Casa Comum. 

No dia seguinte, Mireille retornou a Malta e encerrou um mês de voluntariado internacional no Brasil. 

O fim da experiência, porém, não representa o encerramento da parceria. O projeto seguirá fortalecido por uma articulação que reúne MAGIS Brasil, Centro MAGIS Anchietanum, SEFRAS, Centro Social Santa Fé, Associação Sal da Terra, Salesian Pastoral Youth Service e Salesianos da Ilha de Malta. 

Para a Rede Inaciana de Juventude – MAGIS Brasil, experiências como essa concretizam o Eixo de Voluntariado e Inserção Sociocultural do Programa MAGIS. Ao colocar jovens em contato com diferentes culturas e realidades, o percurso integra formação, espiritualidade, justiça socioambiental e serviço. É também um caminho para formar contemplativos na ação: jovens capazes de discernir a presença de Deus no mundo e responder às suas fronteiras com compaixão, compromisso e cuidado com a Casa Comum. 

*Depoimentos originalmente concedidos em inglês e traduzidos para esta publicação. 

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