O ano de 2020 certamente ficará marcado em nossa história e memória. Já nos encaminhamos ao oitavo mês de um cenário que afetou a vida de todos por conta da ameaça de um vírus. Tivemos de nos isolar socialmente, presenciamos desigualdades sociais se exacerbarem, pessoas perderam empregos, centenas de milhares de vidas foram perdidas e hoje deixam saudades. São muitas situações desafiadoras e dolorosas que tivemos que enfrentar e diante das quais ainda estamos nos reinventando. Porém, mesmo neste contexto, certamente fortalecemos nossa confiança de que também há sempre uma luz divina que nos acompanha e sustenta nas travessias mais difíceis que parecemos experimentar. E se tem um santo que nos inspira neste caminho é o Irmão Afonso Rodrigues!

Afonso Rodrigues nasceu na Espanha, em julho de 1533. Como seus pais, era comerciante. Chegou casar-se e ter uma filha e um filho. Porém, de maneira abrupta, sua vida pareceu virar de cabeça para baixo: em pouco tempo, perdeu a mãe, a esposa e os dois filhos. Em meio a isso, também teve que lidar com as dificuldades financeiras do endividamento. Porém, Afonso não paralisou diante da dificuldade e do luto que viveu. Neste processo, aproximou-se mais de Cristo e, consequentemente, mais de si mesmo. Assim, foi percebendo em seu coração o chamado profundo que o Senhor lhe fazia. Tornou-se irmão jesuíta.

A Congregação Geral 34ª, em seu Decreto 7, diz que “A primeira e principal contribuição dos irmãos é a doação de sua própria pessoa, oferecida ao Senhor para um serviço gratuito. Em consequência, na transparência da vida religiosa oferecem ao mundo atual um testemunho profético na Igreja e na Companhia” (nº 6). E assim o fez Afonso Rodrigues, patrono dos irmãos da Companhia de Jesus. Sua maior missão se concretizou no colégio de Monte-Sião, em Palma de Maiorca, onde colocou-se como humilde servidor dos outros, trabalhando como porteiro. No seu cotidiano, ele era capaz de ver a Deus em todas as coisas, tanto que, quando tocavam a campainha do Colégio, ele se dirigia a atender a pessoa dizendo “Já estou indo, Senhor!”, como se atendesse ao próprio Deus.

Por causa dos trabalhos e das enfermidades, como também por sua idade já avançada, em 31 de outubro de 1617 faleceu. Foi canonizado em 15 de janeiro de 1888 e hoje somos convidados a rezar para que Santo Afonso Rodrigues nos inspire a, como ele, encontrar Deus no cotidiano e mesmo em meio às dificuldades. Peçamos também que ele seja exemplo a todos os Jesuítas Irmãos e que interceda junto a Deus para que esta vocação seja cada vez mais fecunda na Companhia.

Santo Afonso Rodrigues, rogai por nós!

 

Momento de Oração

“Põe quanto és no mínimo que fazes”. Esta frase, que compõe parte de um poema de Fernando Pessoa, revela muito do jeito de ser de Afonso Rodriguez. Em seu cotidiano, na trivialidade da rotina de seu ofício de porteiro, ele se entregava todo inteiro. Certamente o fazia, pois, com sinceridade e liberdade, era capaz de ver a Deus em todas as coisas e a todas n’Ele. Doando-se inteiramente a Deus, passou a ordenar toda a sua vida a Seu serviço, em tudo encontrando-O. A partir de seu testemunho, percebemos que a ação em nosso dia a dia pode se tornar um meio privilegiado de união com Deus, porque é o meio através do qual se dá a resposta da pessoa ao apelo divino. Neste momento de oração, traga à mente sua rotina, seu contexto de trabalho, de estudos, as pessoas com quem você convive mais frequentemente e procure perceber como Deus se faz próximo de ti através de todas as coisas.

Pedido de Graça: Senhor, concede-me a graça de Vos encontrar, amar e servir em todas as coisas.

Texto bíblico: At 17, 24-28

Provocações:
– De que modo tenho me colocado diante de meus principais afazeres? Minhas tarefas cotidianas me permitem perceber a presença de Deus
– Como se dá a relação com as pessoas que fazem parte da minha vida? Consigo tratá-las como se estivesse diante do próprio Deus, como fazia Afonso Rodrigues?
– Diante das adversidades do dia a dia, como reajo? Esmoreço? Desisto, rapidamente? Apoio-me nas minhas decisões? Estou aberto a confrontá-las na vida?
– Ao observar o mundo ao meu redor e ouvir o que me dizem aqueles e aquelas com quem mais convivo, consigo perceber e discernir a voz de Deus? Quais apelos Ele me faz diante disso?

 

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