Giovani do Carmo Junior e Vinícius Pinto Alencar
Queridos (as) jovens e acompanhadores de jovens, Iniciamos na última semana um caminho de reflexão sobre o fenômeno juvenil e vocacional na esteira do V Congresso Vocacional do Brasil: caminhos, expectativas e espiritualidade cujo tema é “Comunidades Vocacionais: Encontro, Testemunho e Missão”. Para aprofundá-lo, foi escolhido o lema bíblico “Perseverantes e bem unidos, partiam o pão pelas casas” (At 2, 46). Começamos o percurso nos colocando a pergunta: quais são os desafios das juventudes para a Animação e o Acompanhamento Vocacional na contemporaneidade?
Essa pergunta surge de um duplo espanto: por um lado, parece que o fenômeno vocacional é abordado desde uma perspectiva isolada e blindada dos processos sócio-históricos à qual não é porosa às mudanças e movimentos da cultura; por outro lado, o processo de animação acompanhamento vocacional parece abordar e perceber as vidas das juventudes desde uma perspectiva moralista e moralizante ao definir padrões, rituais de amadurecimento e elementos higienizadores. Por isso, ou a análise busca perceber os “desafios” para as estruturas vocacionais colocando uma lupa cujas lentes utiliza critérios específicos ou se investiga de maneira endógena os desafios e crises dos próprios processos vocacionais.
Em ambos os casos encontramos reducionismos e enclausuramento. No primeiro texto lançado na semana passada, confrontamos o modo como se põem lentes para poder enxergar um mundo que pode ser experimentado a olho nu. Ao invés de dispor-se à escuta para perguntarmos aos jovens, abrir espaços para falarem de suas vidas e suportarmos que suas experiências possam impactar e transformar o que está posto, escolhem-se lentes adultocêntricas. Ao contrário de dispor o ouvido, colocam-se óculos, empunham-se discursos preparados, dedos em riste e powerpoints organizados para tagarelices.
Todavia, “os desafios” são expressos pelos jovens ou são percebidos como tais pelas lupas cheias de verdade de quem constrói visões sobre eles? Este adultocentrismo estrutura, de maneira implícita esta postura relacional com as juventudes, especialmente naquilo que diz respeito às expectativas de responsabilidade, compromisso e verdade. Interessa-nos compreender como, não raramente, a exigência de autenticidade convive com uma baixa tolerância àquilo que o desejo juvenil efetivamente enuncia.
Se no texto anterior, focalizamos quais são os descaminhos que obliteram a compreensão do fenômeno, então nesta semana desejamos voltar a percepção para a ampliação e a complexificação dos modos de ser jovem no Brasil contemporâneo. Queremos compreender como a complexidade da vida juvenil se relaciona, impacta, incide e é recebida nos processos de Animação e Acompanhamento Vocacional. As trajetórias têm se tornado mais diversas, mais instáveis e menos previsíveis; as identidades se pluralizam; as pertenças se deslocam; e os caminhos deixam de se apresentar como linhas contínuas e previamente definidas. Nesse contexto, a experiência vocacional já não pode ser pensada nos mesmos termos de estabilidade, linearidade e definitividade que marcaram outros momentos históricos retilíneos.
Juventudes e comunidades eclesiais: ambientes geradores de vida vocacional
No centro do V Congresso Vocacional está em relevo a natureza da comunidade eclesial: a Igreja, povo de Deus sacramento de unidade e comunhão, é vocacional. A lei deste povo messiânico libertador é amar como o Cristo nos amou (cf. Jo 13, 34). O amor a Deus e ao próximo é o chamado vocacional de todos os batizados à perfeição da vida cristã (Lumen Gentium, n.9). Este chamado de Deus é dom, gratuidade do seu desejo amoroso expresso na pessoa de Jesus de Nazaré, seu filho muito amado (cf. Mt 3, 17). Não por merecimento, mas por “vontade e graça de Deus”, a comunidade eclesial, pelo Batismo participa, como filhos e filhas da natureza do próprio amor. Assim, a comunidade dos discípulos-missionários do Senhor é chamada em sua vocação batismal a encarnar um modo de vida mais humano seguindo o caminho do Mestre de Nazaré que, escutando a vontade do Pai, se consagrou à sua glória e ao serviço dos pobres, excluídos e vulnerabilizados (Lumen Gentium, n.40). Por isso, “a animação vocacional deve ter como ponto de partida a graça do Batismo, e não as vocações específicas” (V Congresso Vocacional do Brasil: Texto- Base. p. 12).
Definir a comunidade pelo seu caráter vocacional implica percebê-la como realidade sócio-histórico, socioespacial e teológica. O convívio comunitário, na compreensão do Texto-Base do Congresso, é responsável por despertar, impulsionar o descobrir, desenvolver e aprofundar a fé recebida por dom de Deus (cf. 1Cor 13). A comunidade pode ser um dos ambientes no qual e através do qual se pode fazer a experiência de encontrar o Senhor, este é o elemento central que sustenta a vida cristã (Christus Vivit, n. 129)!
O despertar para as vocações específicas se dá por um duplo movimento. A consciência da vocação batismal e a relação dialógica intersubjetiva em comunidade. “A comunidade, com seus recursos e grupos, constitui um espaço gerador de vida vocacional, tanto na atitude de convidar quanto na de perseverar? (Texto- Base, p. 12). Há uma ausência nas estruturas eclesiais de as comunidades locais se compreenderem como ambientes propícios onde as pessoas despertam, são acompanhadas e discernem a própria vocação. Este é um serviço à sociedade prestado pela comunidade às pessoas imersas em dúvidas e crises que necessitam de escuta e acompanhamento de suas angústias. Por isso, importa fundamentalmente discutir a forma e a qualidade organizativa das relações e dos afetos capazes de gerar vida vocacional a partir de um ecossistema interconectado de elementos vocacionais: uma cultura vocacional.
Como tal, faz-se necessário perguntar aos jovens:
Por que e quais são os desafios encontrados nesses espaços que deveriam gerar vida vocacional, mas acabam por produzirem, por vezes, ambientes frios, inóspitos, enrijecidos, herméticos, de extrema violência e adoecimento psicossomático?
Ampliação e complexificação da vida concreta das juventudes
Neste mesmo ano da realização do Congresso Vocacional também acontecerá o 16º Intereclesial das Comunidades Eclesiais de Base entre os dias 20 e 24 de julho na Diocese de Cachoeiro de Itapemirim (ES). O Intereclesial, assim como o V Congresso Vocacional do Brasil, tem por objetivo animar as comunidades a refletirem, partilharem e se comprometerem com a missão do Cristo a partir do tema “Caminhando com as juventudes na alegria do Evangelho, a serviço do Reino” (Ampliada Nacional das CEBs do Brasil. Carta às Comunidades Eclesiais de Base). No mesmo ano a Igreja está a se perguntar em duas frentes sobre o que está a ocorrer com o fenômeno das comunidades juvenis no Brasil.
Por ocasião deste movimento, a Rede Inaciana de Juventude foi responsável pela assessoria ao processo de escuta das juventudes realizado pela Área Pastoral Litorânea da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim que ocorreu na Paróquia Santo Antônio na cidade de Iconha (ES). Esta paróquia está confiada aos cuidados da Província dos Jesuítas do Brasil. O encontro foi articulado, organizado e animado pelas sete paróquias que compõem a área pastoral litorânea.
Para esse processo, adotaram-se dois princípios metodológicos. Primeiro, escuta da realidade das juventudes valorizando a sua voz. Segundo, responsabilidade autônoma e corresponsável das juventudes tomando consciência do protagonismo que lhes cabe em sua vida na sua relação com a fé e a vida comunitária eclesial (Exercícios Espirituais de Santo Inácio de Loyola. n. 15). Assim, buscamos escutar as juventudes e, ao mesmo tempo, implicá-las nos desafios vividos em suas comunidades eclesiais.
A escuta foi mediada pelo método latino-americano que parte dos problemas concretos da realidade cotidiana. Isto é, dos desafios da vida concreta das juventudes nas comunidades (Brighenti, Agenor. O método Ver-Julgar-Agir: da Ação Católica à Teologia da Libertação. p. 57). Suas vidas são espaços privilegiados de discernimento como afirmou o Sínodo sobre “Os jovens, a fé e o discernimento vocacional” de 2018.
Como tal, iniciamos um processo de escuta criando um processo comunicativo de divulgação à luz da arte oficial proposta para o Encontro. Concomitantemente enviamos um formulário de escuta da realidade pautado por quatro questões:
Quais são, na sua opinião, os 3 principais desafios que os e as jovens enfrentam para viver e se engajar na vida das CEBs?
O que você acredita que causa ou alimenta esses desafios?
Que tipo de ações, projetos, ou iniciativas poderiam ajudar a enfrentar esses desafios e fortalecer a presença das juventudes nas CEBs?
Você gostaria de ajudar a construir alguma dessas ideias? Se sim, como você gostaria de contribuir?
No dia do encontro, os jovens foram divididos em pequenos grupos de 4 a 5 pessoas a partir dos quais se efetuou uma segunda etapa de escuta provocada por uma síntese das respostas dadas à primeira questão. Os jovens foram interpelados pelas respostas e precisaram anotar quais elementos acreditavam serem os mais desafiadores entre todos. Em síntese, os jovens expressaram que os principais desafios são:
- “Ausência de tempo para dedicar à vida eclesial devido à rotina pesada de trabalho, estudos e outras responsabilidades;
- Linguagem e espaços pouco atrativos para o protagonismo juvenil;
- Desafios sociais e culturais como violência, ausência de oportunidades, individualismo e secularização”.
Os espaços de vida das juventudes ampliaram para além daqueles já conhecidos. Há um processo de socialização de maior incidência comum entre as juventudes brasileiras que passa pela família, escola e comunidade religiosa. Estes três espaços são básicos e basilares e, ainda mais, eram os espaços mais comuns entre as juventudes católicas há 30 anos. O que nossa escuta demonstrou é um fato: os jovens possuem hoje outros espaços de socialização, sociabilidade e demandas sociais que requerem sua atenção, esforço e emprego de tempo. Há uma ampliação e uma complexificação dos modos de ser jovem, especialmente no Brasil contemporâneo, compreendendo como essas transformações incidem diretamente nos processos de Animação e Acompanhamento Vocacional.
Subjetividades juvenis: recusa e resistência criativa à vida apequenada
Nas sociedades contemporâneas, os sujeitos se constituem em meio a processos de hibridação cultural que desorganizam fronteiras estáveis e produzem formas de vida atravessadas por múltiplas referências simultâneas (CANCLINI, Culturas híbridas, 1990, p. 19-23). No caso das juventudes, isso se radicaliza, pois habitam, ao mesmo tempo, o território físico da sua comunidade, o espaço simbólico das tradições herdadas e os ambientes digitais que ampliam exponencialmente suas possibilidades de interação e identificação. A experiência de um ecossistema onlife que incorpora os espaços físicos e digitais de modo a tornar a vida presencial e on-line ao mesmo tempo (Dicastério para Comunicação. Rumo a presença Plena: Uma reflexão pastoral sobre a participação nas redes sociais). Ao passo que incidem produzindo sentido a partir e nesses códigos. A ampliação não é apenas um aumento de opções, entretanto, uma reconfiguração profunda do modo como o sujeito se percebe e se constrói dialogicamente em relação a si, aos outros e ao mundo.
Por amplificação, entendemos o alargamento efetivo dos registros de experiência que atravessam a vida juvenil, o que implica reconhecer a constituição na intersecção de múltiplos tecidos biopsicossociais. A experiência de si já não se dá em um único eixo estruturante, mas nas múltiplas dinâmicas e feixes de relação entre corpos, afetos, vínculos sociais, mediações tecnológicas, territorialidades e fluxos culturais que atuam em todo lugar em que estão, por vezes, ao mesmo tempo. Essa amplificação é biopsicossocial no sentido de que atinge o tecido biológico (ritmos de sono alterados, hiperestimulação sensorial, exposição contínua), o tecido psíquico (intensificação das experiências emocionais, fragmentação da atenção, pluralização das identificações) e o tecido social (multiplicação de redes, deslocamento das pertenças, reconfiguração das formas de vínculo).
Entretanto, essa expansão dos registros de experiência não se organiza de forma linear ou integrada segundo moldes rígidos. É aqui que se insere a noção de complexificação. Inspirados pelo pensamento de Edgar Morin, compreendemos o complexo como aquilo que é “tecido junto” (complexus), ou seja, uma realidade em que múltiplas dimensões se entrelaçam sem se reduzir umas às outras (MORIN, Introdução ao pensamento complexo, 2005, p. 13-15). A complexificação indica que os diferentes tecidos da vida juvenil entram em relação de maneira não hierárquica, frequentemente tensionada, marcada por descontinuidades, sobreposições e ambivalências.
Ao falar de um “tecido social subterrâneo”, Maffesoli aponta para a existência de formas de sociabilidade que escapam às estruturas institucionais visíveis, mas que são profundamente reais e operantes (MAFFESOLI, O tempo das tribos, 1998, p. 72-75) e nos ajuda a compreender essa dinâmica de sobreposição. Trata-se de vínculos afetivos intensos, que se constituem na partilha de experiências, sensibilidades e estilos de vida. Esse tecido subterrâneo não é desorganizado, ele possui sua própria lógica, marcada pela proximidade, pela emoção e pela identificação. É nele que muitos jovens hoje constroem suas pertenças mais significativas.
Assim, quando falamos de complexificação, não estamos nomeando um caos ou uma desordem absoluta. O que está em jogo é uma forma outra de organização da vida, que se dá por redes, por conexões múltiplas, por arranjos provisórios. Trata-se de um modo de existência em que os diferentes tecidos não convergem, necessariamente, para uma síntese estável, mas permanecem em tensão criativa.
Na sociedade de capital as transformações econômica, tecnológica, política e cultural implodem os marcadores das trajetórias juvenis. As transições lineares da infância à vida adulta realizadas através do mundo do trabalho CLT, da constituição de um núcleo familiar ou mesmo do ensino superior se transformaram em transições descontínuas. Esses marcadores não desapareceram, mas se estenderam no tempo alargando dirá provisoriedade da vida juvenil e preenchendo-a de muitos altos e baixos. Compreender as juventudes como uma relação dinâmica, histórica, social e culturalmente construída impõe perceber que há maneiras diferentes, diversas e desiguais de ser jovem (Groppo, Luís Antônio. Juventudes e políticas públicas: comentários sobre concepções sociológicas de juventude. p. 9).
Essa compreensão permite evitar dois riscos: o de idealizar um passado melancólico, porque perdido, de uma juventude rebelde, engajada, cheia de vitalidade de suposta unidade e o de patologizar o presente como mera fragmentação decorrente de uma ausente “maturidade” capaz de integrar a dispersão. Ao contrário, trata-se de reconhecer que o que está em jogo é uma transformação na própria gramática da existência. A juventude contemporânea não é menos profunda ou menos comprometida; ela é constituída em um outro regime de experiência, no qual a vida se dá como entrelaçamento de múltiplos fatores e elementos, nem sempre convergentes, mas intensamente vivos.
É precisamente nesse entrelaçamento, nesse tecido complexo e amplificado, que a questão vocacional precisa ser reinscrita. Os batizados são seres lançados no mundo. São chamados à radicalidade do batismo nas múltiplas e complexas relações, sendo sal e luz do mundo (Lumen Gentium, n.31). A comunidade vocacional e as trajetórias juvenis não operam por linearidades organizativas, estabilizadoras e retilíneas. O processo de discernimento e aprofundamento da vocação batismal se dá no interior dessas múltiplas camadas, acolhendo suas tensões, escutando seus movimentos e reconhecendo, no próprio dinamismo da vida, os sinais de Deus que já não se apresentam de forma única e previamente definida, mas que se entrevê nas tramas concretas da existência juvenil. Esta existência tensionada e tensionadora dos espaços comunitários que por natureza são amplos, complexos e repletos de combates e disputas.
Desafios para as trajetórias juvenis
Olharmos para as juventudes em sua complexidade ajuda-nos a compreender os próprios desafios apontados. A “falta de tempo”, por exemplo, não é apenas uma dificuldade organizacional, mas revela uma experiência temporal profundamente fragmentada. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), especialmente a partir da Síntese de Indicadores Sociais de 2023, o cenário juvenil brasileiro é marcado por profundas desigualdades e instabilidades: em 2022, cerca de 10,9 milhões de jovens entre 15 e 29 anos (22,3%) não estudavam nem estavam ocupados, sendo que a maioria se encontrava em situação de pobreza ou vulnerabilidade social (INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA – IBGE. Síntese de Indicadores Sociais: uma análise das condições de vida da população brasileira 2023. Rio de Janeiro: IBGE, 2023). Além disso, estudos baseados na PNAD Contínua indicam que, entre os jovens ocupados, uma parcela expressiva se encontra em condições de informalidade, chegando a cerca de 48,6% entre 18 e 24 anos e 39,1% entre 25 e 29 anos (BRASIL. Ministério do Trabalho e Emprego. Termo de Referência: Grupo de Trabalho Aprendizagem e Empregabilidade de Jovens no Mercado Brasileiro. Brasília: MTE, 2023; com base em dados da PNAD Contínua/IBGE).
Para que os jovens possam experimentar espaços pervasivos e atrativos para o protagonismo juvenil, é preciso que tenham possibilidades de viver e viver em comunidade. Os “desafios sociais e culturais” como violência, ausência de oportunidades, individualismo e secularização apontados por eles são fatores preponderantes que se interpõem à vida em comunidade. Na 4º Conferência Nacional de Juventude evidencia-se que há realidades constituídas como verdadeiros muros e destinos sociais. Os jovens negros, as mulheres e a população LGBTQIAPN+, indígenas, pessoas em situação de rua, pequenos agricultores e movimentos sociais são encarcerados, violentados e mortos cotidianamente. Nas periferias vive-se com medo e sob tensão um juvenicídio em curso.
No interior das famílias encontra-se violência doméstica; feminicídio; LGBTfobia; conflitos intergeracionais; ausência de espaços de escuta; laços afetivos fragilizados; o uso de substâncias psicoativas por familiares e jovens; processo de medicalização das infâncias e adolescências; digitalização da vida cotidiana como um dos espaços preponderantes de socialização e sociabilidade. Além disso, os filhos não alcançam mais o sonho de superarem os pais. Terminam por viverem em piores ou iguais condições que seus genitores. Algo ainda não visto nas gerações anteriores que conheceram uma progressiva “melhora”, mesmo que pequena, na qualidade de bem-estar.
A educação básica não responde aos anseios de construção do projeto de vida em sua totalidade. Há desigualdades profundas de acesso atravessadas por raça, gênero e região do país. A ausência de articulação multidisciplinar e de diversidade cultural, sexual, ética e regional empobrece a formação crítica capaz de inseri-los em postos de trabalho ou no Ensino Superior. Por consequência, o Ensino Superior não garante horizontes futuros para todos que o cursam. Quando o conseguem, os jovens pobres precisam dividir seu tempo e esforço entre estudo e trabalho mediante postos de trabalho precarizados em ambientes e plataformas exploradores. As transformações tecnológicas, o desemprego, os baixos salários, a rotatividade de postos de trabalho e o subemprego tornam a precariedade e o estado de sobrevivência o novo normal.
Uma temporalidade acelerada cheia de demandas provoca a ausência de espaços e momentos dedicados ao lazer, à construção de relações afetivas plurais e à construção coletiva para além de uma lógica utilitária. As juventudes demandam atenção psicossocial por mecanismos de garantia de saúde física e mental, segurança alimentar e nutricional e prática de atividades físicas. Porque o acesso a espaços e equipamentos para expansão da ludicidade, criatividade e fruição de arte e produção cultural aumenta as possibilidades de alteração da lógica produtivista cotidiana.
É a partir desse chão concreto que se deve ler a experiência do tempo juvenil. Para muitos jovens, o cotidiano não se organiza como um percurso contínuo e estável, mas como uma sequência fragmentada de tarefas voltadas à sobrevivência. Levantar cedo, enfrentar longas horas em transportes públicos precários, trabalhar em condições instáveis, tentar manter algum vínculo com a educação formal, tudo isso compõe uma existência tensionada. O tempo deixa de ser horizonte de construção e passa a ser campo de administração do imediato. A vida se torna, muitas vezes, uma equação de resistência: dar conta do hoje para que o amanhã continue sendo possível.
Construção sócio-histórica-espacial de comunidades juvenis
Papa Leão XIV afirma que “os jovens do nosso tempo, como os de todas as épocas, constituem um vulcão de vida, de energias, de sentimentos, de ideias” (Discurso do Papa Leão XIV aos Irmãos das Escolas Cristãs - 15 de maio de 2025). Os e as jovens são marcados pela possibilidade de uma pulsão de vida expansiva devido ao processo de desenvolvimento biopsicossocial integral. Esse processo se dá em ambientes relacionais que marcam a sua origem familiar, o seu lugar social e a sua inserção sociocultural. Os e as jovens são atravessados em suas vidas pela concretude dos desafios cotidianos vivenciados em seus contextos pessoais, familiares, escolares, comunitários eclesiais, sociais e culturais (Christus Vivit, n. 71).
Os e as jovens são singularidades desejantes marcadas pela história. Criam mundos e são produzidos por eles. O seu pleno desenvolvimento está diretamente condicionado – mas não determinado – pela qualidade das relações sociais das quais fazem parte. À vista disso, os sistemas de sentido são importantes para compreendê-los, pois são relações e processos que “dizem quem ele é, quem é o mundo e quem são os outros” (DAYRELL, Juarez. O jovem como sujeito social. Revista Brasileira de Educação. n.24, set./dez. 2003, p. 43).
A comunidade eclesial de base local e ambiental “permite o trato pessoal fraterno entre seus membros” (Gregory, Afonso. Comunidades eclesiais de base: utopia ou realidade. p. 176-177). As comunidades são família de Deus constituída por relações renovadas pela graça, pela hospitalidade e pela acolhida (Para uma Igreja sinodal: comunhão, participação, missão. n. 50). Por isso, “a experiência grupal é a proposta central da ação evangelizadora da Pastoral Juvenil da América Latina. O grupo é o lugar da experiência e da vivência social e eclesial” (Civilização do Amor, n. 563).
A comunidade socioespacial das juventudes não se restringe ao espaço físico: ela inclui as redes de afetos, pertencimentos, saberes e espiritualidades que dão sentido à vida em comunidade. A comunidade é o lugar – “o chão mais a identidade” – onde se vive inseparável da forma como se vive. O corpo se faz território, e o território se constitui corpo. Assim, as juventudes constroem e são construídas por comunidades de maneira ativa em interrelação com a terra, a floresta, o rio, a história de sua comunidade e etnia, seu povo.
O território não é apenas o resultado da superposição de um conjunto de sistemas naturais e um conjunto de sistemas de coisas criadas pelo homem. O território é o chão e mais a população, isto é, uma identidade, o fato e o sentimento de pertencer àquilo que nos pertence. O território é a base do trabalho, da resistência, das trocas materiais e espirituais e da vida sobre as que ele influi. Quando se fala em território, deve-se, pois, de logo, entender que está se falando em território usado, utilizado por uma dada população (Santos, Milton. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. p. 96).
Os jovens nos indicam que a comunidade eclesial ainda é um lugar importante para a construção de seu projeto de vida. Ainda mais, percebem a comunidade eclesial como espaço seguro capaz de gerar laços de vida e desenvolvimento comunitário eclesial e social. A crítica às linguagens e espaços “pouco atrativos” aponta para uma transformação nas formas de sociabilidade. Eles vivem um processo de “desinstitucionalização das pertenças”, no qual as grandes instituições, entre elas a Igreja, já não detêm o monopólio da produção de sentido em suas realidades locais (REGUILLO, Emergencia de culturas juveniles, 2000, p. 45-47). Isso não significa ausência de vínculos, mas a emergência de formas mais fluidas, intensas e situadas de pertencimento. Os jovens não rejeitam o compromisso comunitário, mas estão fartos de relações frias, burocráticas e pro formis. Expressam o desejo por culturas e gramáticas vocacionais mais ligadas à experiência vivida do que à adesão formal e cristalizadora de escolhas e horizontes.
Por isso, a realidade cotidiana não pode ser interpretada como simples afastamento ou indisponibilidade para a experiência vocacional ou de inserção eclesial. Ao contrário, ela explicita o lugar onde essa experiência acontece. As juventudes continuam desejando, projetando, insistindo, mas o fazem pagando um alto custo existencial. Sustentar um projeto de vida, estudar, trabalhar, manter-se engajado com a “vida comunitária” e permanecer sonhando torna-se, em muitos casos, um ato de resistência ou uma imposição de exigência sobre si mesmo de vencer na vida. Progressivamente há um afastamento ou uma não participação na comunidade eclesial. Ela passa a não fazer mais sentido ao não ser porosa, sócio-histórica e socioespacial. Ignorar isso seria esvaziar a própria noção de vocação como encarnação histórica na carne do mundo.
A comunidade juvenil vocacional: trajetórias abertas, experimentais e flexíveis
Se a comunidade cristã é, por natureza, espaço vocacional, precisa ser interpelada por essa configuração concreta da vida juvenil. Não se trata de “facilitar” ou simplesmente adaptar estruturas, mas de reconhecer que estamos diante de uma transformação histórica que exige reconfiguração dos modos de presença, de escuta e de acompanhamento. A pergunta deixa de ser como os jovens podem se ajustar às dinâmicas existentes, ou como os processos podem ser enquadrados segundo o gosto do cliente, ou, ainda, como a Igreja se constitui um reduto encapsulado, alienante, ausente de mundo. O ponto nodal consiste em compreender como a comunidade eclesial pode se tornar, de fato, um espaço de relações qualificadas para ser lugar habitável mediante esse regime de vida marcado pela urgência, pela precariedade e, ainda assim, pelo desejo insistente de sentido.
Tal cenário nos provoca a revisitar, a partir da concretude juvenil, a própria noção de vocação. A tradição eclesial, em muitos momentos, a pensou sob o signo da linearidade, um chamado claro, estável e definitivo. No entanto, as trajetórias juvenis contemporâneas desafiam esse modelo. Como evidenciam estudos recentes do Atlas das Juventudes (2023), mais de 70% dos jovens brasileiros afirmam já ter mudado significativamente seus projetos de vida ao menos uma vez nos últimos cinco anos. As trajetórias tornam-se mais abertas, experimentais, frágeis por vezes marcadas por idas e vindas.
Os discursos afirmam a realidade vocacional como substância, todavia o que se entende como “processo vocacional” não é, a priori, uma essência atemporal. Mas, uma construção histórica, sustentada por determinados regimes de verdade. Em A ordem do discurso (1996, p. 10-12), Foucault mostra como a “vontade de verdade” opera selecionando e legitimando certos discursos em detrimento de outros. Isso implica reconhecer que o modelo vocacional como escolha única, definitiva, perpétua e linear pode funcionar como um dispositivo normativo, corretivo e docilizador que não dá conta da pluralidade das experiências contemporâneas.
Em Genealogia da moral (1887, p. 13-17), Nietzsche evidencia como os valores se constituem a partir de relações de força e de interpretações que se cristalizam ao longo do tempo. Corremos o risco de absolutizarmos determinadas formas de compreender a existência, tornando-as rígidas e incapazes de acolher a vida em sua potência. Nesse sentido, pensar a vocação hoje exige interrogar os conceitos cristalizados e abrir espaço para que outras formas de enunciação possam emergir.
Se avançamos nessa leitura e reconhecemos a ampliação e a complexificação como processos psíquicos e marcas da experiência juvenil que se encarnam em histórias, corpos e trajetórias reais, saímos de um simples diagnóstico para a compreensão do modus operandi. Do ponto de vista do desejo, como nos ajuda a pensar Jacques Lacan, o sujeito contemporâneo é atravessado por uma multiplicidade de significantes que não se organizam mais de forma estável. Isso aparece, por exemplo, na trajetória de uma jovem de 22 anos, moradora da periferia de São Paulo, que trabalha como atendente durante o dia e cursa Pedagogia à noite. Ela inicia o curso movida pelo desejo de estabilidade, mas ao longo do tempo se envolve em projetos culturais da comunidade, descobre interesse por arte-educação e começa a questionar se quer permanecer no caminho inicialmente escolhido. Ao mesmo tempo, participa de encontros de espiritualidade e manifesta desejo de aprofundar sua fé. Não há aqui indecisão simples, mas um desejo que se desloca à medida que novas experiências ampliam seu horizonte. O que se vê é a amplificação dos registros de experiência incidindo diretamente sobre a constituição do desejo.
O processo de individuação nestes casos não se dá pela eliminação das tensões, mas pela tentativa de integrá-las e aprofundá-las. Isso se expressa, por exemplo, em um jovem universitário que, ao mesmo tempo em que participa ativamente de um grupo eclesial, também frequenta espaços culturais diversos, questiona normas tradicionais e busca construir uma identidade própria. Ele pode rezar, engajar-se em causas sociais, explorar sua sexualidade e viver conflitos internos em relação à tradição religiosa que herdou. Sua vida não é linear, mas composta por camadas que nem sempre se harmonizam. Ainda assim, há um movimento de busca por sínteses, ainda que provisórias.
Um jovem que se reconhece como LGBTQIA+ pode viver simultaneamente o desejo de pertença a uma comunidade de fé e o medo de rejeição. Ele participa de celebrações, reza, mas silencia aspectos de sua identidade por não encontrar espaço de acolhida. Em outros casos, há jovens que constroem redes de apoio fora das instituições tradicionais, criando formas novas de comunidade. Aqui, a complexificação aparece como tensão entre pertença e autenticidade, entre tradição e experiência vivida.
Trata-se de reconhecer o compasso do real. O sujeito juvenil não está simplesmente desorientado, mas inserido em um campo ampliado de possibilidades e, ao mesmo tempo, atravessado por condições materiais duras que exigem constante reorganização da vida. A ampliação expande horizontes, mas também intensifica as exigências. A complexificação abre caminhos, mas também produz ambiguidades, tensões e angústias que são sustentadas.
Diante disso, a Animação e o Acompanhamento Vocacional não podem operar a partir de modelos abstratos de sujeito. Quando propõe encontros semanais fixos, longos processos formativos rígidos ou itinerários que pressupõem disponibilidade contínua, ela pode, sem perceber, excluir justamente aqueles jovens cuja vida é marcada pela luta cotidiana pela sobrevivência. Pensemos em uma jovem que gostaria de participar de um grupo vocacional, mas não consegue garantir presença regular porque trabalha em escala variável. Ou em um jovem que chega atrasado aos encontros porque depende de duas horas de transporte público. Ou ainda naquele que abandona o processo não por falta de interesse, mas por esgotamento.
Essas situações não são exceções, mas expressão de uma condição estrutural. Por isso, o desafio não é simplesmente “adaptar” os processos para captar ativos vocacionais por torná-los mais acessíveis, como se fosse uma estratégia de marketing e publicidade. Trata-se de uma exigência mais profunda, que interpela as próprias comunidades eclesiais em sua forma de organização. Se são chamadas a ser espaços geradores de vida vocacional, precisam se perguntar como acolher sujeitos que vivem em tempos fragmentados, corpos cansados e trajetórias instáveis.
Isso pode se traduzir, por exemplo, em propostas mais flexíveis de acompanhamento, em espaços de escuta que não dependam exclusivamente da presença contínua, em itinerários que respeitem o ritmo possível de cada jovem. Pode significar também deslocar o eixo da animação e do acompanhamento vocacional para mais perto da vida concreta, indo aos territórios, aos locais de trabalho, às universidades, às periferias. Em vez de esperar que os jovens se adequem à estrutura, trata-se de reconhecer que é a realidade que interpela a Igreja a se reconfigurar para melhor estar a serviço como instrumento e sinal da íntima união com Deus e comunhão do gênero humano.
O despertar e o aprofundar a vocação batismal e seus desdobramentos específicos não emergem em um espaço protegido e estável, mas no interior de uma vida atravessada por tensões, deslocamentos e buscas. A tarefa, portanto, não é simplificar essa realidade, mas perguntar-se em que medida as comunidades se reconfiguram, são porosas, pervasivas e abertas a tornar efetiva a escuta das juventudes transformando as estruturas para que gere vidas juvenis vocacionais, reconhecendo que é precisamente nesse emaranhado que o chamado ressoa.
REFERÊNCIAS
4º Conferência Nacional das Juventudes. Caderno de Resoluções: reconstruir no presente, construir o futuro – desenvolvimento, direitos, participação e bem viver. Disponível em: < https://www.gov.br/secretariageral/pt-br/centrais-de-conteudo/publicacoes/relatorios/Caderno-de-Resolucoes-4aCNJ>. Acesso em 7 abr. 2026.
Alves, Luiz Eleildo Pereira. A diversidade das juventudes e a missão de constituir comunidades permanentes. Disponível em: < A https://magisbrasil.org.br/a-diversidade-das-juventudes-e-a-missao-de-constituir-comunidades-permanentes/>. Acesso em 7 abr. 2026.
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