Edmo Flores dos Santos, SJ
“Ele nos amou primeiro.” (1Jo 4,19)
Edmo Flores dos Santos, SJ nasceu em Santo Antônio do Içá, no Amazonas. Cresceu em um ambiente marcado pela diversidade religiosa e cultural da Amazônia, convivendo com a tradição indígena, o catolicismo popular e o universo evangélico. Foi nesse contexto que desenvolveu uma profunda experiência de fé e aprendeu a reconhecer a presença de Deus nas diferentes expressões religiosas e culturais de seu povo.
O desejo de seguir mais de perto a Jesus amadureceu por meio de sua participação na vida da Igreja e do contato com diferentes carismas religiosos. Após conhecer a missão dos jesuítas por meio da Equipe Itinerante, ingressou na Companhia de Jesus em fevereiro de 2014, iniciando o noviciado em Feira de Santana (BA). Ao longo da formação, encontrou na espiritualidade inaciana, no estudo e na missão os pilares de sua vocação.
Ordenado diácono em Bogotá, na Colômbia, onde concluiu seus estudos teológicos, atualmente realiza sua missão em Roraima, junto à Igreja na fronteira entre Brasil e Guiana, colaborando especialmente na Área Missionária do município de Bonfim. Inspirado pelo lema sacerdotal “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19), deseja servir como instrumento de reconciliação, diálogo e esperança, especialmente junto aos povos e comunidades da Amazônia.
Quais são os três principais destaques da sua formação jesuíta?
Levando em consideração a riqueza que é a Companhia de Jesus, é difícil responder a essa pergunta. Mesmo assim, olhando para trás, percebo que minha formação nesse Corpo Apostólico foi sustentada por um tripé que transformou minha mente e meu coração: a espiritualidade inaciana, a profundidade intelectual e a missão.
Os Exercícios Espirituais, estreitamente unidos à minha terna devoção ao Sagrado Coração de Jesus, ensinaram-me a encontrar Deus em todas as coisas e a pulsar em sintonia com os sentimentos do próprio Cristo. Por sua vez, a profundidade intelectual exigida nos estudos não foi um mero exercício acadêmico ou acúmulo de títulos, mas uma ferramenta rigorosa para compreender a complexidade da realidade e dialogar com ela.
Por fim, a missão costurou tudo isso, arrancando-me do comodismo e enviando-me para onde a Igreja mais precisa. Esses três elementos formam uma única força integradora que me moldou para o serviço do Reino, guiado pelo amor que brota do Coração de Deus.
Qual é a sua formação acadêmica?
Minha trajetória acadêmica na Companhia de Jesus foi desenhada a partir da busca constante pela integração entre fé e razão, concretizada nos estudos de Filosofia e Teologia.
No período dedicado à Filosofia, na FAJE, fui provocado a aguçar o pensamento crítico, acolher os questionamentos da humanidade e compreender as correntes culturais que moldam a sociedade contemporânea. Posteriormente, o mergulho na Teologia, em Bogotá, iluminou essa base intelectual, permitindo-me aprofundar o mistério de Deus e sua revelação encarnada na história humana.
Ambas as áreas do conhecimento não foram caminhos de isolamento, mas pontes necessárias para exercer um ministério atento às dores do mundo. Essa formação me capacita a dialogar com realidades complexas, anunciando a Boa Nova com consistência e sensibilidade pastoral.
O que você espera para sua missão após a ordenação?
Ao olhar para o horizonte do ministério presbiteral, meu maior desejo é que minha vida seja um sinal visível de reconciliação, capaz de construir pontes onde o mundo insiste em erguer muros.
Anseio por um ministério pautado no diálogo autêntico, que saiba escutar as diferentes vozes e acolher a diversidade como uma riqueza do Espírito Santo. Meu coração se volta de maneira muito especial para a Amazônia, terra de minhas raízes, onde desejo gastar a vida em favor dos povos originários e das comunidades eclesiais.
Espero caminhar ao lado dos mais vulneráveis, defendendo a ecologia integral e anunciando a esperança cristã diante dos desafios sociais e ambientais da região. Quero ser um pastor com o cheiro das ovelhas e da biblioteca, integrando conhecimento e prática, promovendo a justiça e fortalecendo a comunhão.
Qual talento você desenvolveu como jesuíta?
O dinamismo da vida comunitária e apostólica na Companhia de Jesus me lapidou profundamente, permitindo-me desenvolver a capacidade de articulação, o diálogo e a escuta atenta.
Ser jesuíta me ensinou que nenhuma missão se realiza sozinho e que a verdadeira liderança nasce da capacidade de conectar pessoas, tecer redes de colaboração e somar forças em favor do bem comum. O diálogo deixou de ser apenas um conceito para tornar-se uma postura de vida.
Acima de tudo, aprimorei o talento da escuta, que vai além do simples ouvir. Trata-se de acolher o outro em sua totalidade, discernindo os apelos de Deus na história de cada pessoa que cruza o meu caminho missionário.
O que você mais ama na Companhia de Jesus?
O que faz meu coração arder de amor pela Companhia de Jesus é sua vocação para a missão e seu chamado corajoso para viver nas fronteiras geográficas e existenciais.
Essa prontidão para o envio brota, para mim, de uma profunda devoção ao Sagrado Coração de Jesus, onde encontro a fonte do amor misericordioso que me impulsiona a amar e servir. Amo pertencer a um corpo apostólico que não se acomoda, mas que se deixa enviar aos lugares mais esquecidos e desafiadores.
Estar na fronteira significa caminhar naquele espaço onde a fé dialoga com a cultura e onde a justiça social clama por respostas. Essa disponibilidade jesuítica de estar em constante saída, com os pés na estrada e o coração ancorado no Coração de Jesus, é o que me fascina e confirma na alegria de ser seu companheiro.
O que você diria para alguém que está pensando em entrar na Companhia?
Se você sente no peito o desejo inquieto de gastar a vida por algo maior e percebe que seu coração sintoniza com a Companhia de Jesus, eu lhe diria: não tenha medo de dar o primeiro passo.
Entrar na Companhia é aceitar o convite para uma aventura fascinante, na qual você será desafiado a crescer humanamente, intelectualmente e espiritualmente. Aqui, suas buscas encontrarão espaço no discernimento, e suas inquietações poderão transformar-se em combustível para a missão.
Não espere ter todas as certezas ou ser perfeito para começar. O próprio Jesus se encarrega de capacitar aqueles que chama para caminhar ao seu lado. Permita-se escutar essa voz, confie na condução do Espírito e venha ser, conosco, um servidor da esperança e da reconciliação.
Sua vocação em seis palavras
Amazônia, fé, diálogo, inculturação, fronteira e missão.
Ordenação Presbiteral
A Província dos Jesuítas do Brasil celebra com alegria a ordenação presbiteral do Diác. Edmo Flores dos Santos, SJ. Inspirado pelo lema “Ele nos amou primeiro” (1Jo 4,19), Edmo dá mais um passo em sua resposta ao chamado de Deus, colocando sua vida a serviço da Igreja e da missão da Companhia de Jesus.
Informações da celebração
Data: 11 de julho de 2026
Horário: 17h (horário de Manaus)
Local: Igreja Matriz de Santo Antônio de Lisboa
Praça da Matriz, s/n – Centro
Santo Antônio do Içá (AM)
Ordenante:
Dom Adolfo Zon Pereira, SX
Primeira Missa
Data: 12 de julho de 2026
Horário: 9h (horário de Manaus)
Local: Igreja Matriz de Santo Antônio de Lisboa
Praça da Matriz, s/n – Centro
Santo Antônio do Içá (AM)
















































